Baía de Guanabara ganha plataforma inteligente de dados da Coppe para apoiar gestão pública e Economia do Mar
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Data: 28/05/2026

A Baía de Guanabara passa a contar com uma nova ferramenta estratégica para monitoramento ambiental, prevenção de riscos e apoio à gestão pública. Desenvolvida pelo Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce), da Coppe/UFRJ, a plataforma integra, em tempo real, dados ambientais, oceanográficos, meteorológicos e socioeconômicos da região.
A iniciativa busca enfrentar um problema histórico da baía: a falta de informações integradas e atualizadas capazes de apoiar decisões rápidas e eficientes. Apesar de ser um dos ecossistemas mais estudados do país, os dados sobre a Baía de Guanabara sempre estiveram dispersos entre diferentes instituições, dificultando diagnósticos precisos e ações coordenadas.
Com a nova plataforma, será possível monitorar diariamente condições meteorológicas e oceanográficas, além de identificar situações críticas, como derramamento de óleo e alterações na qualidade da água. O sistema também permitirá analisar vulnerabilidades sociais e ambientais das populações do entorno da baía, gerando informações para apoiar políticas públicas nas áreas de saúde, meio ambiente, defesa civil e planejamento urbano.
Coordenado pelo professor Luiz Landau, do Programa de Engenharia Civil da Coppe, e com coordenação técnica do professor Luiz Paulo Assad, o projeto representa um avanço para a chamada Economia do Mar (conjunto de atividades econômicas ligadas ao ambiente costeiro, como logística portuária, pesca, turismo, transporte marítimo e energia).
“A plataforma cria uma base integrada de conhecimento sobre a Baía de Guanabara. Isso melhora a capacidade de entender a dinâmica ambiental da região e fortalece a tomada de decisão em atividades estratégicas para o estado”, explica o professor Assad.
O pesquisador Fabio Hochleitner, integrante da equipe do projeto, destaca que a iniciativa permitirá compreender melhor a relação entre as condições ambientais e os impactos sobre a população. “Passamos a ter uma base consistente de informações, fortalecendo a capacidade de diagnóstico e previsão sobre a dinâmica da atmosfera, do oceano e seus reflexos no cotidiano das pessoas”, afirma.

A plataforma reúne dados gerados por sensores instalados no entorno da baía, capazes de medir variáveis como temperatura, umidade, pressão atmosférica, ventos e qualidade do ar e da água. Essas informações alimentam modelos computacionais que produzem previsões de curto prazo para eventos extremos e cenários de longo prazo voltados ao planejamento estratégico.
Além do uso técnico e governamental, a proposta também prevê acesso público às informações por meio de um portal em desenvolvimento. A interface permitirá que cidadãos, pesquisadores e empresas acompanhem indicadores ambientais da baía em tempo real, ampliando a transparência e o acesso aos dados.
O projeto integra o Programa Guanabara Azul, criado pelo governo do estado do Rio de Janeiro em 2023 e vinculado à Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade do Rio de Janeiro. A iniciativa busca modernizar a gestão da Baía de Guanabara por meio de tecnologia, inteligência de dados e monitoramento contínuo.
Outro diferencial é a sala de situação instalada no Lamce/Coppe, que funciona como centro de acompanhamento em tempo real para apoio ao governo do estado. O espaço reúne painéis e sistemas de monitoramento capazes de subsidiar decisões estratégicas de diferentes órgãos públicos.

“A ideia é conectar os dados ambientais às necessidades práticas da gestão pública, permitindo respostas mais rápidas e planejamento mais eficiente”, acrescenta Fabio Hochleitner.
A relevância da iniciativa cresce diante da complexidade da região. A Baía de Guanabara é margeada por sete municípios e influencia diretamente a vida de cerca de 10 milhões de pessoas. Além de receber água de dezenas de rios da bacia hidrográfica, a baía também sofre pressão constante de esgoto, lixo e poluição urbana.
“Nós temos realidades muito diferentes no entorno da baía. É como se existissem várias baías dentro de uma só”, observa Fabio Hochleitner. “Essa diversidade exige monitoramento em alta resolução para compreender como cada região responde às condições ambientais.”
Ao integrar monitoramento ambiental, inteligência artificial, modelagem computacional e indicadores sociais, o Baía Digital inaugura uma nova abordagem para compreender, proteger e planejar o futuro da Baía de Guanabara — conectando ciência, sustentabilidade e desenvolvimento econômico.
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