Coppe amplia oferta de disciplinas em empreendedorismo e inovação para pós-graduandos
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Data: 25/02/2026

A Coppe/UFRJ está ampliando sua formação em empreendedorismo e inovação com a oferta de três novas disciplinas voltadas a alunos de todos os 13 programas de pós-graduação da instituição. As iniciativas reforçam a estratégia da diretoria de estimular a criação de tecnologias, negócios de base científica e soluções de impacto social a partir das pesquisas desenvolvidas nos laboratórios da Coppe.
Segundo o diretor-adjunto de Tecnologia e Inovação da Coppe, professor Thiago Aragão, a ampliação dessa trilha formativa responde a uma demanda crescente dos próprios alunos e ao papel social da universidade. “Nossa produção acadêmica precisa ter aplicação prática. Se não desenvolvemos processos ou produtos, não damos o retorno esperado à sociedade que investe em nós. A formação empreendedora amplia horizontes e ajuda a transformar pesquisas em inovação”, afirma.
O professor destaca ainda que a iniciativa busca engajar estudantes de diferentes áreas, estimulando a troca de experiências e a construção conjunta de soluções. “Quanto mais diverso for o público das disciplinas, melhor. Em vez de ter uma trilha formativa impositiva, queremos caminhos que estimulem sinergia, criatividade e novas formas de pensar.”
Formação empreendedora como diferencial na Engenharia
Para o diretor-adjunto de Assuntos Acadêmicos, professor Thiago Ritto, as novas disciplinas representam um avanço natural da instituição diante das transformações do mercado e das expectativas das novas gerações.
“A visão do empreendedorismo complementa a visão acadêmica, trazendo novos conhecimentos, técnicas, metodologias. É importante ampliar nossos percursos formativos, não perdermos aquilo que nos transformou em referência no ensino de Engenharia, mas estarmos atentos às demandas dos novos tempos, novas expectativas”, avalia o professor.
“Temos excelência em pesquisa. A questão agora é dar o próximo passo: transformar conhecimento em produtos, processos e impacto. Cobrir o gap entre o TRL 4 e 9 (níveis de prontidão tecnológica, sendo o grau 9 quando a tecnologia está pronta para o mercado) não é uma responsabilidade/obrigação da Coppe, mas podemos contribuir com caminhos para isso”, conclui Ritto.
As inscrições para as disciplinas ficarão abertas de 2 a 13 de março, via SIGA.
Inovação, Empreendedorismo e Transições Sustentáveis
Professora Amanda Xavier (Programa de Engenharia de Produção – PEP)
A disciplina discute modelos econômicos contemporâneos, governança participativa e inovações transformativas voltadas para transições sustentáveis. A abordagem é flexível e adaptada ao perfil dos alunos — muitos deles pesquisadores de diferentes áreas da engenharia.
O primeiro módulo é focado em inovação; o segundo em território; e o terceiro em governança. E empreendedorismo é um tema que permeia os três módulos. As aulas incluem análise de textos, atividades metacognitivas e discussões sobre autores como Darcy Ribeiro, Milton Santos e Mariana Mazzucato. O objetivo é desenvolver competências sociais e humanísticas que complementam a formação técnica, ampliando a capacidade crítica dos futuros profissionais.
Segundo a professora Amanda Xavier, o curso funciona como um espaço colaborativo de construção de conhecimento, fora de um conceito de educação tecnocentrada,em que o saber é situado de cima para baixo. “O meu papel não é ensiná-los, é dar as ferramentas de desconstrução e construção de novos percursos, que vão refletir os próprios repertórios que a gente traz. Meu papel é ser uma alavanca de novos futuros, de transformação e para que eles sejam formadores de opinião, sejam críticos, compreendam o contraditório e tomem boas decisões”.
“Trabalhamos com o conceito de cosmolocalismo, para que nossas pesquisas sejam úteis, de fato, para a vida das pessoas. Não é a sociedade que está a serviço da ciência, mas é a ciência que está a serviço da sociedade”, explica Amanda.
Empreendedorismo e Inovação em Saúde
Professor Gabriel Casulari (Programa de Engenharia Biomédica – PEB)
Voltada à área de saúde, a disciplina apresenta metodologias para desenvolvimento de startups, noções de regulação sanitária e atividades práticas. O curso conta com a participação do professor Flávio Grynszpan, diretor do Instituto iCorps Brasil, ex-presidente da Motorola do Brasil, que atua na formação de startups e na difusão da metodologia de Desenvolvimento de Clientes.
A proposta integra o ecossistema de saúde da Coppe, marcado por iniciativas de impacto social como a criação do ventilador pulmonar VExCO, o simulador pulmonar MECLung e as spin-offs surgidas a partir do Programa de Engenharia Biomédica. A disciplina busca fortalecer esse ambiente, formando engenheiros capazes de transformar pesquisa aplicada em soluções reais para serviços de saúde.
“O professor Flávio Grynszpan (ex-docente do PEB) tem uma experiência grande na área empresarial e hoje lidera uma aceleradora de empresas. A gente divide o curso da seguinte forma: ele fala sobre empreendedorismo e eu falo sobre a organização da Saúde no Brasil, processo de registro, e outros temas da área de saúde mesmo. A disciplina é aberta a todos, podendo participar alunos de quaisquer programas, de outras unidades, outras instituições e até mesmo ex-alunos”, informa o professor Gabriel Casulari.
“Eu participei do programa Doutor Empreendedor, da Faperj e isso me fez pensar na oferta dessa disciplina e mostrar que o mestrado e o doutorado fazem parte desse processo, do empreendedorismo de base tecnológica, empreendedorismo disruptivo”, contextualiza Casulari.
Desenvolvimento de Novos Produtos, Serviços e Negócios de Base Tecnológica
Professor Tharcísio Fontainha (Programa de Engenharia de Produção – PEP)
Estruturada com apoio da Diretoria de Tecnologia e Inovação da Coppe, a nova disciplina combina fundamentos de engenharia de produto, design de serviços e empreendedorismo. O objetivo é capacitar alunos a transformar pesquisas em tecnologias com impacto social, econômico e ambiental.
“A proposta é dar aos estudantes uma visão completa de como nasce e amadurece um negócio de base tecnológica, desde a concepção até a avaliação de sua maturidade (TRL)”, explica o professor Tharcísio Fontainha.
O conteúdo inclui modelos de negócio sustentáveis, registro de inovação, ciclo de vida de produtos e processos, financiamento e criação de startups. A avaliação envolve resenhas críticas e um pitch final de cinco minutos sobre soluções desenvolvidas a partir das pesquisas dos estudantes.
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