Coppe e Capes debatem desafios e perspectivas da pós-graduação no Brasil
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Data: 13/08/2026

A Coppe/UFRJ recebeu, em 30 de julho, a presidente da Capes, professora Denise Pires de Carvalho, para uma conversa sobre os desafios e as perspectivas da pós-graduação brasileira. Docente do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF) e ex-reitora da UFRJ, Denise apresentou a evolução dos indicadores do Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG) e discutiu com professores da Coppe mudanças recentes nos critérios de concessão de bolsas e na metodologia da Avaliação Quadrienal da Capes.
Segundo Denise, o Sistema Nacional de Pós-Graduação teve forte expansão entre 2000 e 2015, seguida por um período de retração associado às crises políticas, econômicas e orçamentárias dos anos seguintes. O sistema vem se recuperando gradativamente, e a evolução do número de ingressantes na Coppe acompanha, de acordo com os dados apresentados pela Capes, a tendência observada no SNPG acadêmico, que não considera os cursos de mestrado e doutorado profissionais.
A presidente da Capes destacou ainda o crescimento dos investimentos na pós-graduação e da produção científica brasileira, mas apontou como um dos principais desafios ampliar a transferência desse conhecimento para o setor produtivo.
Condições para formar pesquisadores
Entre os temas levantados pelos professores esteve a necessidade de garantir condições adequadas para a formação de pesquisadores. O professor Daniel Figueiredo, coordenador do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação, chamou atenção para o descompasso entre as condições atuais de financiamento e o nível de dedicação exigido por um curso de doutorado.
A questão, segundo ele, não se resume à recomposição do poder de compra das bolsas, mas envolve reconhecer que dedicar cerca de quatro anos à formação doutoral exige condições materiais compatíveis com esse investimento de tempo e de trajetória profissional.
Daniel também destacou que o custo de vida varia significativamente entre as diferentes regiões do país e que essa diferença já é considerada pela própria Capes em programas de formação no exterior. Para ele, o mesmo debate precisa ser feito em relação às condições oferecidas aos estudantes no Brasil, especialmente em grandes centros urbanos.
Dados e gestão acadêmica

Outro tema discutido foi o uso estratégico de dados para o acompanhamento e o aprimoramento da pós-graduação. O diretor-adjunto de Assuntos Acadêmicos da Coppe, professor Thiago Ritto, explicou que a instituição está redesenhando seus processos em conjunto com os coordenadores dos programas, buscando utilizar de maneira mais sistemática as informações acadêmicas produzidas internamente.
“A Coppe sempre utilizou dados para subsidiar suas decisões, mas esse uso ocorreu de forma pontual. Agora, estamos buscando torná-lo mais sistemático e institucional, integrando mais com os dados coletados e fornecidos pelos nossos programas”, explicou o vice-diretor da Coppe, professor Marcello Campos.
Ele também destacou o potencial da Assessoria de Gestão da Qualidade (Coppe Q), que já atua na certificação dos laboratórios da instituição, para apoiar os programas de pós-graduação na adoção de padrões de gestão e excelência acadêmica.
Cooperação internacional
A cooperação internacional também esteve na pauta. A professora Carla Cipolla, do Programa de Engenharia de Produção, manifestou preocupação com a interrupção de parcerias e redes de pesquisa construídas ao longo de anos com instituições europeias, algumas delas com cofinanciamento de fundações estaduais de amparo à pesquisa.
Denise afirmou que buscará articular um diálogo entre Capes, CNPq e a União Europeia para discutir o cofinanciamento das redes de pesquisa Brasil-UE e evitar tratamentos distintos entre os estados brasileiros.
O encontro abriu espaço para que a Capes apresentasse mudanças e perspectivas para o sistema nacional de pós-graduação e, ao mesmo tempo, para que a Coppe levasse à Capes questões diretamente relacionadas às condições de formação, à gestão acadêmica e à sustentabilidade de sua pesquisa e de suas redes de colaboração.
Além do vice-diretor da Coppe, professor Marcello Campos e do diretor-adjunto de Assuntos Acadêmicos, professor Thiago Ritto, participaram do encontro coordenadores e representantes dos 13 programas acadêmicos da Coppe.
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