Coppe inaugura Núcleo de Tecnologia de Poços para testes em condições extremas
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Data: 18/06/2026

A Coppe/UFRJ inaugurou nesta terça-feira, 16 de junho, uma das mais modernas estruturas do país para o desenvolvimento e o teste de equipamentos destinados a poços de óleo e gás em águas ultraprofundas. O Núcleo de Tecnologia de Poços (NTP) representa um importante avanço na capacidade nacional de desenvolver e qualificar tecnologias inovadoras em condições extremas de pressão, temperatura, tração e compressão, consolidando o papel de vanguarda da Coppe na fronteira das pesquisas em energia.
A nova infraestrutura amplia a autonomia tecnológica brasileira em uma área estratégica para a exploração de petróleo em águas ultraprofundas e para novas aplicações energéticas, como a captura e o armazenamento geológico de carbono (CCUS).
O Núcleo de Tecnologia de Poços (NTP) é uma nova área de testes do Laboratório de Tecnologia Submarina (LTS), dedicada ao desenvolvimento e à qualificação de tecnologias para a completação inteligente de poços de petróleo. O projeto foi financiado pela Shell Brasil com recursos da cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

“Nós iniciamos esse projeto com a Shell para ampliar a nossa capacidade de atender a indústria no que diz respeito aos testes e ao desenvolvimento de equipamentos de poço. Mas o mais importante é que essa nova infraestrutura permite o desenvolvimento e a qualificação de equipamentos de completação inteligente, equipamentos mecânicos e equipamentos elétricos. Está em curso uma transição dos equipamentos de poço, tradicionalmente mecânicos, para soluções elétricas”, explica o professor Ilson Pasqualino, do Programa de Engenharia Oceânica (PEnO), coordenador do projeto.
A nova estrutura compreende dois grandes sistemas de testes: uma câmara termo-hiperbárica e um aparato termomecânico. Os equipamentos foram integralmente projetados e fabricados para o NTP e permitem aplicar pressões internas em até oito pontos simultaneamente da amostra, alcançando até 30 ksi de pressão interna com líquido e 20 ksi com nitrogênio — capacidade que torna o núcleo uma infraestrutura única no mundo para esse tipo de ensaio. Esse nível de pressão (30 ksi) equivale a cerca do dobro da pressão registrada na Fossa das Marianas, no Oceano Pacífico, o ponto mais profundo conhecido do planeta, com aproximadamente 11 mil metros de profundidade, ou cerca de duas mil vezes a pressão atmosférica.
“A câmara hiperbárica reproduz um poço de petróleo. Se vai ser um poço produtor, um poço injetor ou um poço geotérmico, não faz diferença. Nós trabalhamos com a simulação de poços e, dentro da câmara hiperbárica, podemos reproduzir qualquer tipo de poço, inclusive para captura e armazenamento de carbono (CCUS)”, explicou o professor Ilson.

A diretora da Coppe, professora Suzana Kahn, ressaltou a importância da parceria entre universidades e indústria para o avanço tecnológico do país e destacou o papel da cláusula de PD&I da ANP.
“A obrigatoriedade de investimentos em pesquisa e desenvolvimento faz uma diferença muito grande para que possamos realizar uma série de projetos de infraestrutura que, de fato, colocam o Brasil na liderança em óleo e gás e no desenvolvimento de tecnologias offshore.”
A cerimônia de inauguração do NTP também contou com a presença de Leonardo Marazzo, gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Petrobras; Telmo Ghiorzi, diretor-executivo da Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo (ABESPetro); e Carlos Victal, gerente de Sustentabilidade do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP).
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