Do pré-sal às renováveis: Coppe amplia cooperação tecnológica com universidades chinesas
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Data: 24/08/2026

A Coppe/UFRJ recebeu, no dia 11 de agosto, professores da North China University of Technology (NCUT) e do Beijing Institute of Petrochemical Technology (BIPT) para uma agenda de intercâmbio científico e tecnológico em áreas estratégicas para os setores de energia e petróleo. A visita permitiu apresentar competências desenvolvidas na Coppe e, ao mesmo tempo, conhecer tecnologias e linhas de pesquisa das instituições chinesas, ampliando possibilidades de cooperação entre universidades dos dois países.
A delegação conheceu projetos e laboratórios dedicados a temas como energia renovável no oceano, tecnologia submarina, engenharia de poços e caracterização da dinâmica de fluidos com fibra óptica, além de instalações para simulação, em escala real, de operações em poços de petróleo.
O professor Átila Freire, do Programa de Engenharia Mecânica (PEM), apresentou o Núcleo Interdisciplinar de Dinâmica de Fluidos (NIDF), que reúne sete laboratórios de alta tecnologia. O núcleo desenvolve pesquisas relacionadas a escoamentos multifásicos e em alta pressão, recuperação avançada de petróleo (EOR), medições de CO₂ em condições supercríticas e tecnologias para captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS), entre outros temas de interesse da indústria de energia.
No Programa de Engenharia Oceânica (PEnO), o professor Milad Shadman apresentou o portfólio do Grupo de Energia Renovável no Oceano (Gero), que reúne pesquisas em eólica offshore flutuante, energia das ondas, energia solar flutuante, conversão de energia térmica oceânica (OTEC), produção offshore de hidrogênio a partir de fontes renováveis e sistemas híbridos de geração de energia.
O grupo também desenvolve gêmeos digitais (digital twins) de turbinas eólicas offshore flutuantes. Segundo Milad, a experiência do Gero inclui projetos desenvolvidos em parceria com empresas e universidades estrangeiras, entre elas TotalEnergies, CNOOC, China University of Petroleum (CUP), Tsinghua University e Ocean University of China.. Essas colaborações já resultaram em inovação, patentes e 18 artigos publicados em revistas científicas de alto fator de impacto.
A delegação também conheceu a expertise do Laboratório de Tecnologia Submarina (LTS), apresentada pelo professor Ilson Paranhos, e as instalações do recém-inaugurado Núcleo de Tecnologia de Poços (NTP). Entre os temas de pesquisa estão o descomissionamento de estruturas submarinas, a integridade de dutos e cabos umbilicais e o desenvolvimento de sistemas para detecção de anomalias subaquáticas, além de estudos sobre o comportamento de equipamentos em condições extremas.
Competências complementares

A visita também abriu espaço para que os pesquisadores chineses apresentassem suas próprias pesquisas e tecnologias. Para o vice-presidente da NCUT, professor Jiaqing Chen, a complementaridade entre as competências brasileiras e chinesas cria oportunidades para uma cooperação mais ampla.
“O Brasil abriga os maiores conjuntos de campos de petróleo em águas profundas e na camada do pré-sal do mundo, além de possuir um enorme potencial em energias renováveis, incluindo energia eólica e solar. A China, por sua vez, apresenta fortes vantagens em tecnologias de desenvolvimento energético e no projeto e fabricação de equipamentos verdes. Olhando para o futuro, devemos integrar as competências complementares de um número maior de instituições, incluindo universidades, com o objetivo de promover um ecossistema de cooperação”, afirmou.
Chen apresentou as atividades de seu grupo de pesquisa, dedicado ao desenvolvimento de tecnologias e equipamentos de separação de alta eficiência para escoamentos multifásicos. O tema ganha importância à medida que campos de petróleo offshore avançam para fases mais maduras de produção, aumentando a quantidade de água produzida juntamente com o petróleo.
Segundo o pesquisador, técnicas de recuperação avançada de petróleo podem tornar as emulsões de óleo e água ainda mais complexas, dificultando a operação de separadores trifásicos e desidratadores eletrostáticos. Entre os desafios estão aumentar a eficiência da separação, reduzir o uso de produtos químicos e o espaço ocupado pelos equipamentos e, consequentemente, diminuir os custos operacionais.
O professor Yipeng Ji, do BIPT, apresentou uma tecnologia desenvolvida e testada na China para enfrentar esse tipo de desafio. O Tubular Electrostatic Coalescer (TEC) pode ser instalado antes de um separador trifásico ou de um desidratador eletrostático e, segundo o pesquisador, tem potencial para reduzir a temperatura de aquecimento e a dosagem de produtos químicos, aumentar a eficiência da separação óleo-água e diminuir o espaço ocupado pelos equipamentos.
A tecnologia pode ser aplicada tanto em novos projetos (greenfield) quanto na modernização de instalações existentes (brownfield retrofit), ampliando seu potencial de aplicação industrial.
A apresentação de tecnologias chinesas e o conhecimento das competências da Coppe reforçam o caráter de mão dupla da cooperação. A aproximação entre os grupos pode contribuir não apenas para o intercâmbio acadêmico, mas também para o desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas a desafios concretos da indústria de energia, em uma agenda que combina a experiência brasileira em operações offshore com a capacidade chinesa de desenvolvimento e fabricação de tecnologias e equipamentos.
