Dosimetria personalizada: tecnologia brasileira leva tratamento sob medida ao combate ao câncer
Planeta COPPE / Engenharia da Saúde / Engenharia Nuclear / ODS 3 -Saúde e bem-estar
Data: 12/03/2026
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Avanços na medicina nuclear têm permitido tornar o tratamento do câncer cada vez mais preciso e personalizado. Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores ligados à Coppe/UFRJ mostra como a pesquisa acadêmica pode se transformar em soluções que apoiam médicos e beneficiam pacientes.
Criada por uma egressa do Programa de Engenharia Nuclear da Coppe, a startup Dosimagem desenvolveu um serviço online especializado em calcular com alta precisão a dose de radiação que um paciente oncológico recebe durante o tratamento com radiofármacos. Esse ajuste fino permite terapias mais eficazes e seguras, aumentando as chances de sucesso do tratamento e reduzindo possíveis efeitos colaterais.
A empresa foi fundada pela pesquisadora cubana naturalizada brasileira Mirta Berdeguez, doutora pelo Programa de Engenharia Nuclear (PEN) da Coppe e ex-pesquisadora de pós-doutorado do Laboratório de Análises Ambientais e Simulação Computacional (Laasc). A tecnologia desenvolvida pela startup transforma anos de pesquisa acadêmica em uma ferramenta prática para hospitais, clínicas e centros de pesquisa.
A plataforma online criada pela empresa permite que clínicas e instituições de qualquer região do Brasil tenham acesso rápido a um serviço especializado de análise de dosimetria baseado em imagens médicas. A tecnologia apoia tanto a pesquisa clínica quanto o desenvolvimento de novas terapias com radiofármacos, levando em consideração as características individuais de cada paciente e de seu tumor. O resultado é um tratamento mais personalizado, com maior controle da dose terapêutica e menor risco de danos a órgãos saudáveis.
Segundo Mirta, a aplicação da técnica já se mostra promissora em diferentes tipos de câncer, especialmente em casos de câncer de tireoide, câncer de próstata, metástase óssea associada ao câncer de próstata, tumores neuroendócrinos e câncer de fígado.
Da pesquisa acadêmica à inovação que chega aos pacientes

O trabalho que deu origem à Dosimagem começou ainda durante o doutorado de Mirta na Coppe, sob orientação do professor Ademir Xavier. A pesquisa foi desenvolvida em parceria com o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, aproximando ciência básica e prática clínica.
O objetivo era claro: transformar o conhecimento da física nuclear aplicada em soluções que pudessem melhorar o tratamento de pacientes com câncer.
Em 2019, a pesquisadora submeteu o projeto ao programa Doutor Empreendedor, da Faperj. Dois anos depois, nasceu oficialmente a startup Dosimagem, fundada em parceria com Harlley Hauradou (CTO), doutorando do PEN, e Leandro Almeida (CCO).
A empresa é um exemplo de como o ecossistema de ciência e inovação das universidades públicas pode gerar soluções de alto impacto. A startup está sediada na Incubadora de Empresas da Coppe, passou pelo programa de aceleração do Ibmec Hubs e segue vinculada ao programa Doutor Empreendedor.
“Nós somos da física nuclear aplicada e procuramos fazer com que a pesquisa que desenvolvemos seja útil para a sociedade”, explica Mirta. “Mesmo depois de criar a empresa, continuamos trabalhando em parceria com a universidade, oferecendo bolsas para pesquisadores da Coppe e de outras unidades da UFRJ”.
Por que a dosimetria personalizada muda o jogo no tratamento do câncer
A chamada medicina de precisão busca adaptar terapias às características de cada paciente. No caso da medicina nuclear, a dosimetria personalizada é o elemento que permite que essa precisão seja efetivamente aplicada.
Entre os principais benefícios estão:
Menor toxicidade para o organismo
O tratamento atua como uma espécie de “bomba inteligente” em nível molecular, concentrando a radiação nas células tumorais e reduzindo o impacto no restante do corpo.
Maior controle do tumor
A dosimetria garante que a energia depositada seja suficiente para destruir as células malignas, evitando doses insuficientes que poderiam permitir a volta da doença.
Proteção de órgãos saudáveis
Órgãos próximos ao tumor possuem limites de tolerância à radiação. A dosimetria personalizada calcula com precisão quanto cada órgão saudável receberá, prevenindo danos e sequelas.
Tratamento adaptável
Se o tumor diminui ao longo do tratamento, a dose pode ser recalculada para acompanhar a nova realidade anatômica do paciente.
Da Coppe para o mundo

O potencial da tecnologia também tem despertado interesse internacional. A startup participou do evento global de inovação 4YFN (Four Years From Now), realizado na Fira Barcelona, um dos maiores centros de feiras e eventos da Europa.
A presença da empresa no evento integrou o Pavilhão Brasil e contou com apoio da ApexBrasil e do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, por meio do programa Diplomacia da Inovação.
Segundo Leandro Almeida, diretor comercial da empresa, o mercado internacional já demonstra forte interesse por tecnologias de medicina nuclear.
“O Brasil ainda precisa avançar no marco regulatório para ampliar o uso dessas tecnologias. Na Europa, as regras já são mais claras, e países como a Espanha têm incentivado a adoção de soluções inovadoras na área”, explica.
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