Especialista discute a transição justa e equitativa na navegação internacional
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Data: 27/08/2025

A Coppe/UFRJ recebeu no dia 6 de agosto, o professor Goran Dominioni, da Dublin City University. Dominioni é atualmente o pesquisador principal (PI) de um projeto financiado pelo Banco Mundial sobre a implementação de políticas de mitigação das mudanças climáticas no transporte marítimo internacional. O professor abordou a necessidade de uma transição justa e equitativa no setor, durante palestra ministrada a alunos do Programa de Engenharia Oceânica e que atraiu pesquisadores de outras instituições também pela atualidade do tema em discussão.
Desde 2022, o professor tem organizado e ministrado treinamentos sobre precificação de carbono no transporte marítimo para membros de delegações junto à Organização Marítima Internacional (IMO), abrangendo mais de 60 países em desenvolvimento.
A navegação marítima é responsável por 2% a 3% das emissões globais de gases de efeito estufa e movimenta cerca de 80% do comércio internacional em volume. A meta global é zerar as emissões líquidas até, ou próximo de, 2050, com reduções intermediárias de 20% a 30% até 2030 e de 70% a 80% até 2040.
Essas regras se aplicam a navios com mais de cinco mil toneladas, com exceções para embarcações não motorizadas, plataformas e navios que operem exclusivamente em águas sob jurisdição nacional.
Segundo Dominioni, o Net-Zero Framework da IMO não é um documento vinculatório (que obriga os países), mas é uma referência. “É desafiador para as indústrias e para a IMO. Ele representa um avanço importante, com elementos técnicos e econômicos, mas muitas incertezas permanecem”.
“Quais combustíveis serão incentivados, quais estarão disponíveis e onde? Aspectos-chave do arcabouço relacionados à “transição justa e equitativa” ainda precisam ser definidos. Quais serão os critérios de uso e governança do Fundo Net-Zero da IMO (mecanismo financeiro global criado para apoiar a descarbonização do setor de transporte marítimo e constituído por contribuições obrigatórias pagas por navios que emitirem gases de efeito estufa acima dos limites estabelecidos) que poderá distribuir até 15 bilhões de dólares. É provável que o setor tenha de se adaptar a um mosaico de políticas climáticas, o que exigirá respostas criativas para enfrentar novos desafios”
“As pessoas não querem chamar isso de taxa de carbono, mas realmente parece uma.
Em um momento de grande disputa geopolítica, é animador ver a comunidade internacional ajustando essa política”, finalizou Dominioni.
A palestra do professor Goran Dominioni está disponível no YouTube e o professor dá mais detalhes sobre o tema neste artigo.
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