Esquistossomose: inovação da Coppe avança rumo ao mercado com impacto direto na saúde pública
Planeta COPPE / Engenharia da Saúde / Engenharia Química / ODS 3 -Saúde e bem-estar
Data: 08/05/2026

Uma solução desenvolvida na Coppe/UFRJ está mais próxima de chegar ao mercado e pode representar um avanço significativo no combate à esquistossomose – uma doença tropical negligenciada (DTN) – que ainda afeta milhões de pessoas no mundo, sobretudo em países do Sul Global, com forte incidência no Brasil.
Resultado de pesquisas conduzidas no Laboratório de Engenharia de Polimerização (EngePol), do Programa de Engenharia Química (PEQ), a tecnologia propõe uma nova forma de administração do praziquantel, medicamento amplamente utilizado no tratamento da doença. A inovação não está na substância em si, já consolidada no mercado, mas na forma como ela é entregue ao paciente — um fator decisivo para a eficácia do tratamento em larga escala.
Ao substituir o comprimido tradicional por sachês para suspensão oral, a solução responde a um desafio concreto de saúde pública: a baixa adesão ao tratamento, especialmente entre crianças, devido ao gosto amargo do medicamento. “Transformamos o fármaco em uma formulação que pode ser dispersa em água, facilitando a administração e permitindo uma dosagem mais precisa, ajustada ao peso do paciente”, explica a pesquisadora Emiliane Daher.
Mais do que conveniência, trata-se de uma inovação com potencial de ampliar o alcance e a efetividade do tratamento em populações vulneráveis.
Tecnologia aplicada a um problema real
A linha de pesquisa, desenvolvida sob coordenação do professor José Carlos Pinto, utiliza tecnologia para encapsular o fármaco em polímeros inteligentes, garantindo sua liberação controlada no organismo. A tecnologia de microencapsulamento — já patenteada pelo EngePol, — permite que o medicamento seja protegido ao longo do sistema gastrointestinal e liberado no momento adequado, em contato com o pH ácido do estômago.
Esse avanço técnico se traduz em benefícios diretos para a saúde pública:
Tecnologia inteligente e maior eficácia
Essa envelopagem polimérica oferece vantagens biológicas e técnicas:
- Melhor aproveitamento: Melhora a biodisponibilidade do fármaco no sistema gastrointestinal.
- Adesão ao tratamento: Mascara o sabor amargo, principal motivo de rejeição entre crianças.
- Versatilidade: Além do uso humano, a tecnologia pode ser adaptada para o mercado veterinário no tratamento de verminoses em animais.
Do laboratório à população
Após anos de desenvolvimento, o projeto entra agora em uma etapa decisiva: a validação em ambiente regulatório e a aproximação com o mercado. O objetivo é obter o registro junto à Anvisa e viabilizar a produção em escala, condição essencial para que a inovação chegue, de fato, a quem precisa.
“E preciso transcorrer um longo caminho da pesquisa em bancada laboratorial até o registro de um novo medicamento e a sua comercialização. Agora, o projeto está bem mais adiantado e buscamos o registro junto à Agência de Vigilância Sanitária Nacional (Anvisa). Para isso, precisamos garantir que o material foi feito em um ambiente certificado, um ambiente que a Anvisa reconheça como seguro, para a gente conseguir dar a entrada no registro. A nossa Planta de Polímeros atende a todos os requisitos, mas ainda não está certificada, então procuramos um parceiro, a Globe Química”, esclarece Emiliane, pós doc do EngePol.
Os próximos passos incluem estudos de estabilidade e testes de biodisponibilidade em humanos, fundamentais para comprovar segurança e eficácia da nova formulação.
Engenharia a serviço da saúde pública
No Brasil, estima-se que mais de um milhão de pessoas sejam infectadas anualmente pelo Schistosoma mansoni. Nesse contexto, a inovação desenvolvida na Coppe reforça o papel estratégico da engenharia na busca por soluções concretas para desafios estruturais da sociedade.
Ao transformar conhecimento científico em uma alternativa viável, com potencial de aplicação em larga escala, o projeto exemplifica como laboratórios de pesquisa podem contribuir diretamente para a melhoria das condições de vida da população — especialmente no enfrentamento de doenças negligenciadas.
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