Estudo da Coppe aponta uso de tecnologias digitais para tornar a logística urbana de alimentos mais eficiente
Planeta COPPE / Engenharia de Transportes / Notícias
Data: 23/07/2026

Reduzir o desperdício de alimentos, diminuir congestionamentos e tornar mais eficiente a distribuição de produtos perecíveis nas grandes cidades. Esses são alguns dos desafios enfrentados pela logística urbana que motivaram uma pesquisa desenvolvida na Coppe/UFRJ. O estudo propõe a aplicação integrada de tecnologias digitais, como Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial (IA) e blockchain, para monitorar, em tempo real, as operações de carga e descarga de alimentos.
A pesquisa integra a dissertação de mestrado de Naina Ribeiro Lelis, do Programa de Engenharia de Transportes (PET) da Coppe, e parte de um problema de grande impacto econômico e social. Segundo a Embrapa, milhões de toneladas de alimentos são perdidas todos os anos devido a falhas no armazenamento, transporte e distribuição. Ao mesmo tempo, grandes centros urbanos convivem com congestionamentos, restrições à circulação de caminhões e dificuldades na gestão de áreas de carga e descarga, fatores que comprometem a qualidade dos produtos, elevam custos logísticos e aumentam as emissões de gases de efeito estufa.
A proposta é utilizar sensores e sistemas inteligentes para acompanhar a ocupação das vagas de carga e descarga, as condições de transporte dos alimentos e o fluxo de distribuição, permitindo que transportadoras e estabelecimentos identifiquem o momento mais adequado para realizar entregas e retiradas. As tecnologias também possibilitam rastrear produtos perecíveis, classificar automaticamente prioridades de entrega e garantir maior segurança e integridade das informações.
Para o professor Matheus Henrique Oliveira, orientador da pesquisa, a adoção dessas ferramentas pode contribuir para enfrentar um dos principais gargalos da infraestrutura brasileira. Em 2025, os custos logísticos do país alcançaram 15,5% do PIB, índice elevado em comparação com economias que possuem sistemas de transporte mais equilibrados. Segundo ele, a integração entre gestão urbana e tecnologias digitais representa uma oportunidade para aumentar a eficiência das cadeias de suprimento, reduzir perdas e fortalecer a competitividade da indústria.
Além dos ganhos econômicos, a pesquisa aponta benefícios para a sociedade ao oferecer subsídios para políticas públicas voltadas ao desenvolvimento de cidades mais inteligentes e sustentáveis. Alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o estudo mostra que a digitalização da logística pode contribuir para melhorar a mobilidade urbana, reduzir desperdícios de alimentos e tornar o abastecimento das cidades mais resiliente.
Os pesquisadores destacam, entretanto, que a adoção dessas tecnologias depende do avanço da infraestrutura digital, da padronização regulatória e da coordenação entre produtores, transportadoras, varejo e poder público. Para o professor Lino Marujo, do Programa de Engenharia de Produção (PEP) da Coppe, a tecnologia já está disponível, mas seu potencial só será plenamente alcançado com modelos de governança capazes de integrar os diferentes agentes da cadeia logística.
