Estudo da Linha 3 do Metrô coloca o transporte público no centro do debate sobre o futuro do Rio
Planeta COPPE / Engenharia de Transportes / Notícias
Data: 18/12/2025

Estudo para a implantação da Linha 3 do Metrô — projeto estratégico para a mobilidade urbana no estado do Rio de Janeiro — foi apresentado e amplamente debatido durante a 22ª edição do Congresso Rio de Transportes (RDT), realizada no Museu do Amanhã, nos dias 4 e 5 de dezembro. Aberto ao público, o evento reforçou a importância de aproximar a população das discussões sobre transporte público, um tema que impacta diretamente a qualidade de vida, o acesso ao trabalho, à educação e aos serviços essenciais.
Idealizada desde a década de 1960, a Linha 3 do Metrô voltou ao centro do debate a partir de um estudo técnico aprofundado conduzido pela Coppe/UFRJ, por meio do Programa de Engenharia de Transportes (PET), responsável pela promoção do congresso. O estudo integra o projeto PRISMA-RJ — Integração, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Mobilidade no Rio de Janeiro — e propõe a ligação da cidade do Rio de Janeiro aos municípios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.
Segundo o coordenador do estudo, professor Rômulo Orrico (PET/Coppe), a proposta vai além da infraestrutura metroviária. O trabalho considera os impactos sociais, econômicos e territoriais da implantação das estações, buscando garantir sustentabilidade financeira ao sistema sem excluir parcelas da população. Para o professor, a Linha 3 só faz sentido se for implantada de forma completa, garantindo efetividade no atendimento à demanda regional.
Durante a mesa-redonda, representantes do poder público destacaram o caráter estruturante do projeto. O secretário de Estado das Cidades, Douglas Ruas, defendeu que a linha chegue até Itaboraí, incluindo necessariamente São Gonçalo, com traçado totalmente subterrâneo e terminais confortáveis, capazes de atrair usuários de diferentes faixas de renda. A necessidade de subsídios estruturados para garantir o acesso da população de menor renda também foi enfatizada, especialmente por gestores municipais.
Autoridades de Itaboraí, São Gonçalo e Niterói reforçaram o impacto positivo que o metrô pode gerar na redução do tempo de deslocamento — que hoje pode chegar a duas horas — e na reorganização dos sistemas de ônibus, que deverão atuar de forma integrada ao metrô. Em Niterói, o projeto é considerado prioritário e estratégico, com estudos em andamento para que o futuro VLT atue de forma complementar, e não concorrente, ao sistema metroviário.
Representando o município do Rio de Janeiro, a secretária municipal de Transportes, Maína Celidonio, destacou a importância da integração entre os diferentes modais — metrô, ônibus e barcas — e o uso de tecnologia para o planejamento da mobilidade urbana. Ferramentas como o sistema JAÉ, segundo ela, permitem compreender melhor a demanda atual e projetar cenários futuros, especialmente diante da expansão do metrô, cuja atratividade pode ampliar significativamente o número de usuários.
Ao promover o debate em um espaço simbólico como o Museu do Amanhã e abri-lo à participação do público, o Congresso Rio de Transportes reafirmou a importância da articulação entre academia, órgãos públicos e empresas para enfrentar desafios estruturais da mobilidade urbana. A contribuição técnica da Coppe, aliada à experiência dos gestores públicos e à visão do setor produtivo, evidencia como o somatório de competências e perspectivas é fundamental para qualificar decisões, influenciar políticas públicas e viabilizar soluções sustentáveis capazes de transformar a mobilidade e a qualidade de vida de milhões de pessoas no estado do Rio de Janeiro.
