Hackathon IA 2026 transforma desafios reais da energia em soluções tecnológicas
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Data: 02/10/2026

Maratona reuniu 60 finalistas de diferentes áreas para trabalhar com dados e problemas do setor elétrico e desenvolver protótipos com inteligência artificial
Como usar dados e inteligência artificial para enfrentar problemas reais da transição energética? Essa foi a pergunta que mobilizou 60 participantes, distribuídos em 12 equipes, durante a etapa final do Hackathon IA 2026, realizado entre 25 e 27 de setembro, no Instituto 12, no Leblon. Promovida pela Incubadora de Empresas da Coppe/UFRJ e pela Made in Rio, a maratona colocou estudantes, pesquisadores e profissionais de diferentes áreas diante de desafios concretos do setor de energia.

Ao longo da competição, as equipes tiveram acesso a dados reais e se debruçaram sobre problemas que vão do desperdício de energia renovável à redução do uso de usinas termelétricas. Com apoio de mentores especializados em energia, inteligência artificial, produto, inovação e negócios, os participantes desenvolveram protótipos e tiveram cinco minutos para apresentar não apenas o que construíram, mas como aquelas soluções poderiam ser aplicadas fora do hackathon.
Para o gerente executivo da Incubadora de Empresas da Coppe, Marcos Chaves Martins, a experiência mostra o potencial de aproximar conhecimento, talento e problemas concretos. “Ver 60 hackers pegarem dados reais do setor elétrico e, em três dias, entregarem protótipos que respondem a problemas do ONS e da Taesa mostra o tamanho do talento que o Rio forma. Tenho certeza que o potencial deste movimento que envolve o hackathon é enorme para a formação das pessoas e para a qualificação das ideias. A Incubadora está de portas abertas para que esses projetos virem empresas.”
A competição começou 20 dias antes da etapa presencial, com atividades de treinamento e um ideathon, etapa dedicada a formação da ideia. Os 60 finalistas foram selecionados entre mais de 530 inscritos. Durante a maratona, além dos mentores, os participantes tiveram contato com representantes da Prefeitura do Rio, Sebrae e Invest.Rio e de empresas como Visagio, Grupo Guanabara, Taesa e OceanPact. Também acompanharam o evento representantes do BNDES Garagem e o Corporate Venture Capital (CVC) da Petrobras.
Três equipes premiadas

A equipe Atanora conquistou o primeiro lugar com a Predicta, tecnologia que utiliza inteligência artificial para antecipar picos de demanda e indicar momentos de menor custo e maior eficiência para o consumo de energia. A proposta pode ajudar distribuidoras a aliviar a pressão sobre a rede e consumidores a reduzir gastos.
Formada por Larissa Cunha Pinheiro, doutora pelo Programa de Engenharia Nuclear da Coppe, Pedro Aquino da Costa e Rômulo Ferreira Goes, da UFF, Raul de Almeida Castro Neto, Uerj, e Ricardo Fernandes de Araújo, do Cefet/RJ, a equipe recebeu R$ 10 mil, US$ 10 mil em créditos da AWS e, para seguir desenvolvendo as propostas, duas semanas de acesso ao Supercomputador Santos Dumont que, instalado no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), é um dos mais potentes do Brasil,
Em segundo lugar ficou a CapiWatt, que desenvolveu uma ferramenta de IA para pesquisar e organizar processos regulatórios da Aneel, oferecendo respostas acompanhadas de fontes verificáveis. A equipe recebeu R$ 7 mil, US$ 10 mil em créditos da AWS e duas semanas de acesso ao Santos Dumont.
O terceiro lugar ficou com a GPU Team, que utilizou dados do ONS e inteligência artificial para identificar gargalos na transmissão e simular investimentos em infraestrutura capazes de reduzir o desperdício de energia eólica e solar. A equipe recebeu R$ 5 mil, US$ 10 mil em créditos da AWS e duas semanas de acesso ao supercomputador.
Da competição para a inovação

O hackathon criou um ambiente para que os participantes pudessem experimentar, trabalhar em equipe e aplicar tecnologia a problemas que já fazem parte da realidade do setor energético.
Para a diretora da Coppe, professora Suzana Kahn, a integração entre diferentes áreas de conhecimento é um dos aspectos que torna a experiência relevante. “Eu vejo que este hackathon e suas diferentes áreas do conhecimento, de transferências e experiências, trará um resultado muito interessante. Desejo que essas soluções possam ter continuidade, gerando pequenas empresas, startups e, de repente, uma grande empresa. Tais soluções são uma forma de devolvermos à sociedade o investimento que se faz na universidade.”

O diretor adjunto de Tecnologia e Inovação da Coppe, professor Thiago Aragão, também destacou a possibilidade de transformar os resultados da pesquisa em iniciativas que cheguem à sociedade. “Nós queremos continuar tendo produção científica de alto nível, com padrão internacional, mas que isso seja um meio, e não um fim. Queremos que a sociedade se beneficie do que desenvolvemos.”
Os projetos seguem agora para uma nova etapa, com possibilidade de incubação e conversas com empresas interessadas em levar algumas das soluções adiante. A iniciativa reforça a proposta da Incubadora de aproximar a capacidade científica e tecnológica da Coppe de oportunidades concretas de inovação e empreendedorismo.
Para Luana Helsinger, cofundadora e CEO da Made in Rio, a realização do hackathon também evidencia a combinação, no Rio de Janeiro, entre uma forte vocação para energia e uma base científica e tecnológica formada por instituições de pesquisa e ensino.
O Hackathon IA Coppe 2026 foi promovido pela Incubadora de Empresas da Coppe/UFRJ e pela Made in Rio, em parceria com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), AWS, LNCC e Prefeitura do Rio de Janeiro, e contou com o patrocínio da OceanPact, Visagio, Sebrae e Faperj.
Confira os três equipes vencedoras
1º lugar: Atanora
Larissa Cunha Pinheiro (Coppe), Pedro Aquino da Costa (UFF), Raul de Almeida Castro Neto (UERJ), Rômulo Ferreira Goes (UFF) e Ricardo Fernandes de Araújo (CEFET/RJ).
Solução: usa IA para antecipar picos de demanda e indicar quando é mais barato e eficiente consumir energia, ajudando a reduzir a pressão sobre a rede.
Prêmio: R$10 mil em dinheiro + US$ 10 mil em créditos da AWS + duas semanas de acesso ao Supercomputador Santos Dumont
2º lugar: CapiWatt
Eric Ruas Leão (PUC-Rio), Carolina Figueiredo Germano (UERJ), Thiago Henriques (PUC-Rio), Eduardo Motta (PUC-Rio) e Jerônimo Augusto Soares (PUC-Rio).
Solução: usa IA para pesquisar e organizar processos regulatórios da ANEEL, entregando respostas com fontes verificáveis e reduzindo o tempo gasto por advogados na busca e análise de informações.
Prêmio: R$7 mil em dinheiro + US$ 10 mil em créditos da AWS + duas semanas de acesso ao Supercomputador Santos Dumont
3º lugar: GPU Team
Luciano Chinilato (PUC-Minas), Luciano de Souza Bernardino (IBMEC-RJ), Brener Sousa da Silva (IBMR), Thomas Farias Viana (IME) e Guilherme Vasconcellos Marcelino (UFRJ).
Solução: usa dados do ONS e inteligência artificial para identificar gargalos de transmissão e simular quais investimentos em infraestrutura poderiam recuperar energia eólica e solar hoje desperdiçada.
Prêmio: R$5 mil em dinheiro + US$ 10 mil em créditos da AWS + duas semanas de acesso ao Supercomputador Santos Dumont
