Hidrelétricas reversíveis entram no debate sobre os rumos da matriz elétrica brasileira
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Data: 28/08/2026

Tecnologia pode ganhar novo papel em um sistema elétrico cada vez mais dependente da integração de fontes renováveis
Os rumos da matriz elétrica brasileira passam também pela capacidade de armazenar energia e garantir flexibilidade ao sistema. Com a expansão da geração solar e eólica, cresce o desafio de administrar a variabilidade dessas fontes e assegurar energia nos momentos de maior demanda. Nesse cenário, as hidrelétricas reversíveis (UHRs) podem desempenhar um papel estratégico.
Para discutir esse tema e os caminhos para o Brasil, a Coppe/UFRJ reunirá, no dia 9 de setembro, alguns dos principais atores do setor elétrico no painel “Por que o Brasil ainda não aproveita o potencial das hidrelétricas reversíveis?”. O encontro pretende colocar em debate não apenas o potencial da tecnologia, mas também os desafios regulatórios, econômicos e tecnológicos para sua adoção e o papel que as UHRs podem desempenhar no futuro da matriz energética brasileira.
O debate ganha relevância diante de uma particularidade brasileira. Foi no país que, em 1939, entrou em operação a primeira turbina reversível do mundo, em São Paulo. Hoje, embora o Brasil concentre cerca de 8% da capacidade hidrelétrica instalada mundial, não há nenhuma usina hidrelétrica reversível em operação no território nacional.
Na prática, as UHRs funcionam como grandes sistemas de armazenamento de energia. Com dois reservatórios em diferentes níveis, podem utilizar períodos de menor demanda ou de excesso de geração para bombear água para o reservatório superior. Quando o sistema precisa de energia, a água retorna ao reservatório inferior, movimentando as turbinas e gerando eletricidade.
A tecnologia ganha especial importância em um cenário de expansão das fontes solar e eólica, cuja geração varia de acordo com as condições climáticas. O armazenamento permite deslocar energia no tempo e aumentar a flexibilidade do sistema, contribuindo para equilibrar oferta e demanda.
Para a diretora da Coppe, professora Suzana Kahn, que fará a mediação do painel, essa discussão deve ser ampliada para além da capacidade de geração das hidrelétricas.
“A hidreletricidade, por exemplo, que é a espinha dorsal de nossa geração elétrica, deve ser considerada também como uma bateria natural do sistema elétrico, exercendo uma função sistêmica. Os reservatórios compensam a variabilidade da geração eólica e solar. Por isso, a hidreletricidade não deve ser encarada apenas pelo número de megawatts gerados, mas também como viabilizadora da participação de fontes intermitentes no sistema elétrico.”
O painel reunirá Marcos Izumida Martins, gerente de P&D e Inovação da Axia Energia; Jairo Terra Ferreira Filho, chefe de Regulação e Litígios da PSR; Ricardo Oliveira, diretor-presidente da Geocoba; Marcelo Lopes, diretor de Operação de Geração e Transmissão da Neoenergia; e o professor Djalma Falcão, do Programa de Engenharia Elétrica da Coppe/UFRJ.
A proposta é colocar diferentes perspectivas em diálogo — indústria, agentes do setor elétrico, regulação e academia — para discutir uma questão que tende a ganhar importância na transição energética: como ampliar a capacidade de armazenamento e flexibilidade do sistema elétrico brasileiro e qual lugar as hidrelétricas reversíveis devem ocupar nessa estratégia?
O debate será realizado no dia 9 de setembro, das 10h às 12h, no auditório da Coppe, sala G-122.
Inscreva-se: Sympla – Por que o Brasil ainda não aproveita o potencial das hidrelétricas reversíveis?
