Linha 3 do Metrô poderá beneficiar 1,7 milhão de pessoas e impulsionar novo eixo de desenvolvimento no Rio
Planeta COPPE / Engenharia de Transportes / ODS 9 - Indústria, inovação e infraestrutura
Data: 02/06/2026

A Coppe/UFRJ apresentou nesta segunda-feira, 1º de junho, novos detalhes do projeto Prisma-RJ, estudo técnico que propõe a implantação da Linha 3 do Metrô e poderá transformar a mobilidade, a integração urbana e o desenvolvimento socioeconômico da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O trajeto conectará Niterói, São Gonçalo e Itaboraí à capital fluminense por meio de uma linha de aproximadamente 50 quilômetros e 29 estações.
Mais do que um projeto de mobilidade urbana, o estudo busca orientar uma estratégia de transformação urbana e desenvolvimento socioeconômico para os municípios atendidos. Para isso, mobilizou uma ampla equipe de pesquisadores do Programa de Engenharia de Transportes (PET), uma extensa base de dados, estudos de campo e a escuta das necessidades de cerca de 1,7 milhão de pessoas potencialmente beneficiadas pela nova linha.
O traçado proposto prevê estações no Largo da Carioca e no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro; na UFF, Praça do Rink, Icaraí, Santa Rosa, Alameda Boaventura e Barreto, em Niterói; em Neves, Uerj, Prefeitura, Alcântara e Vista Alegre, em São Gonçalo; e em Manilha, Itaboraí Plaza, Centro e Venda das Pedras, em Itaboraí, entre outros pontos estratégicos.
Um dos principais diferenciais do traçado desenvolvido pelo Prisma-RJ é a ampliação da população atendida. Em comparação com propostas anteriores para a Linha 3, o projeto aumenta em 98% o número de moradores localizados a até 400 metros das estações, ampliando significativamente o acesso ao sistema de transporte de alta capacidade.
O projeto recebeu R$ 26 milhões em recursos oriundos de emendas parlamentares da bancada fluminense no Senado e na Câmara dos Deputados e é desenvolvido por dois laboratórios da Coppe: a Rede de Estudos em Engenharia e Socioeconômicos de Transportes (Reset) e o Laboratório de Otimização e Sistemas de Informações Geográficas (Optgis).
“São os benefícios gerados pelo projeto que justificam o investimento. Queremos melhorar o acesso às escolas, aos locais de trabalho, estimular os negócios locais e fortalecer as vocações econômicas de cada região”, avalia o professor Rômulo Orrico, coordenador do projeto.
Segundo Rômulo, entre os objetivos da nova linha estão a criação de um eixo estruturador de desenvolvimento, capaz de impulsionar atividades econômicas, sociais e culturais, além de promover uma efetiva integração com os demais sistemas de mobilidade da Região Metropolitana.

Entre os impactos esperados estão a redução dos tempos de deslocamento, a ampliação do acesso da população a oportunidades de emprego, educação e serviços, a geração de postos de trabalho durante a construção e na cadeia produtiva associada ao projeto, o fortalecimento de políticas de desenvolvimento urbano articuladas ao transporte e a redução das desigualdades territoriais por meio de uma mobilidade mais acessível e eficiente.
O professor Rômulo Orrico agradeceu aos parlamentares pelo apoio e às equipes do Reset e do Optgis pelo trabalho desenvolvido. “São muitas partes interessadas e precisamos ouvir todas elas com atenção. Consideramos essas contribuições de forma responsável e buscamos construir a melhor proposta possível. Nós, pesquisadores, não somos donos da verdade; trabalhamos permanentemente em busca dela”, afirmou.

Na avaliação da diretora da Coppe, professora Suzana Kahn, a apresentação pública dos resultados nesta etapa do projeto reafirma o compromisso das instituições públicas de ensino e pesquisa com a transparência e com a prestação de contas à sociedade.
“Estamos falando de um projeto que poderá contribuir para reduzir tempos de deslocamento, ampliar o acesso da população às oportunidades de trabalho, educação e lazer, melhorar a qualidade de vida, promover inclusão social e fortalecer uma mobilidade mais sustentável e integrada. Projetos dessa natureza demonstram como a pesquisa acadêmica pode contribuir diretamente para o planejamento de políticas públicas e para a construção de cidades mais conectadas, inclusivas e sustentáveis. É justamente para apoiar iniciativas estruturantes como essa, capazes de gerar impactos duradouros no desenvolvimento urbano e na vida da população, que a Coppe atua há décadas na formulação de soluções para o setor de transportes”, concluiu a diretora.

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