Mobilidade urbana: Coppe expande hubs inteligentes de planejamento participativo
Planeta COPPE / Cidades Inteligentes / Engenharia de Transportes / Programa / Notícias
Data: 28/05/2026

Após implementar hubs de inovação em Campos dos Goytacazes e Cabo Frio, a Coppe/UFRJ ampliará a iniciativa para Arraial do Cabo, onde desenvolverá, em parceria com a prefeitura, o Plano de Mobilidade Urbana Inteligente e Sustentável do município entre 2026 e 2027. A proposta utiliza escuta pública, participação social e análise de dados urbanos para apoiar cidades fluminenses na formulação de políticas públicas de mobilidade adaptadas às diferentes realidades locais.
A iniciativa foi concebida para ser replicada em municípios de diferentes portes, integrando tecnologia, governança e participação social na construção de soluções para o transporte urbano.
Coordenado pelo professor Matheus Oliveira, do Programa de Engenharia de Transportes (PET) da Coppe, com apoio da Faperj, o projeto “Mob 4.0 – Hub de Planejamento Inteligente da Mobilidade do Estado do Rio de Janeiro” aposta na criação de “laboratórios vivos de inovação” voltados à mobilidade urbana. A proposta parte da avaliação de que os principais desafios da mobilidade não estão apenas na infraestrutura, mas também na forma como as decisões públicas são planejadas, implementadas e monitoradas.
“Como é que a gente constrói ferramentas tecnológicas capazes de colocar na mesma arena o decisor público, a população e os dados que representam o problema?”, questiona o pesquisador. Para ele, melhorar a mobilidade urbana exige a construção de um ecossistema de governança baseado em escuta, transparência, monitoramento e uso qualificado de dados.
Mais do que produzir diagnósticos, o projeto busca gerar subsídios técnicos para políticas públicas mais eficientes, inclusivas e sustentáveis. Em Cabo Frio, por exemplo, o processo de escuta e análise territorial apontou o potencial de um sistema aquaviário ligando o bairro Ogiva ao Centro, além da ampliação da ciclovia à beira-mar, como alternativas para reduzir o fluxo de veículos e ampliar as possibilidades de deslocamento da população.
A iniciativa surge em um contexto de agravamento dos indicadores de violência no trânsito no país. O Brasil registrou, em 2024, o maior número de mortes no trânsito dos últimos oito anos: foram 37.150 óbitos, segundo dados do DataSUS. As motocicletas responderam por 40% dessas mortes, conforme levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, o cenário também preocupa. Dados divulgados pelo Corpo de Bombeiros apontam crescimento no número de ocorrências envolvendo motocicletas e veículos de micromobilidade, como patinetes elétricos e ciclomotores. Apenas na cidade do Rio, sete em cada dez atendimentos por trauma estão relacionados a acidentes com motos. Entre 2024 e 2025, os atendimentos a vítimas de acidentes com veículos de micromobilidade cresceram 702% na rede municipal de saúde, segundo levantamento da Comissão de Segurança no Ciclismo do RJ com base em dados da Secretaria Municipal de Saúde.
Na avaliação de Matheus, o crescimento acelerado do uso de motocicletas, bicicletas elétricas e outros veículos individuais está diretamente relacionado ao enfraquecimento histórico do transporte público, agravado após a pandemia. Para enfrentar esse cenário, ele defende medidas como ampliação de ciclovias, criação de espaços seguros para pedestres, redução dos limites de velocidade nas vias urbanas e fortalecimento do transporte coletivo.
“A gente precisa entender que o financiamento do transporte público não pode sair exclusivamente do bolso do usuário. Existem experiências internacionais e estudos no Brasil que mostram que outros modelos são possíveis e viáveis”, afirma.
O professor também destaca que investir em mobilidade sustentável produz impactos diretos na saúde pública, na segurança viária e na economia das cidades. Segundo ele, a redução de acidentes e mortes no trânsito diminui gastos com internações, aposentadorias por invalidez e indenizações, permitindo que esses recursos sejam reinvestidos em infraestrutura urbana e políticas públicas voltadas à qualidade dos deslocamentos.
*Com informações de Flavia Machado, da Faperj
- Mob 4.0
- mobilidade urbana
