O outro placar da Copa: as emissões de carbono
Planeta COPPE / Engenharia de Transportes / Notícias
Data: 10/06/2026

A bola começa a rolar nesta quinta-feira, e milhões de brasileiros já compartilham o mesmo sonho: ver a Seleção conquistar o tão esperado hexacampeonato mundial. Em um país apaixonado por futebol, a Copa do Mundo continua sendo um daqueles raros momentos capazes de unir gerações, interromper rotinas e alimentar esperanças.
Mas, enquanto as atenções se voltam para gols, dribles e possíveis heróis nacionais, existe outra disputa acontecendo fora das quatro linhas: a luta para reduzir os impactos das mudanças climáticas.
A Copa do Mundo de 2026, sediada por Estados Unidos, Canadá e México, será a maior da história em número de seleções, partidas e deslocamentos. E justamente por suas dimensões continentais poderá registrar também a maior emissão de gases de efeito estufa já associada a um Mundial.
As projeções indicam que mais de 24 milhões de toneladas de gases de efeito estufa poderão ser lançadas na atmosfera durante os cerca de 40 dias de competição. Grande parte desse impacto está relacionada ao intenso fluxo de pessoas entre os três países-sede, que receberão milhões de torcedores, profissionais de imprensa, dirigentes e equipes técnicas.
As distâncias ajudam a explicar os números. A separação entre Vancouver, no Canadá, e Miami, nos Estados Unidos, chega a 4.509 quilômetros — a maior já registrada entre duas cidades-sede em uma Copa do Mundo.
O percurso da Seleção rumo ao hexa
Para entender melhor o impacto ambiental do torneio, o jornalista Renan Honorato, do portal TMC, entrevistou Rodrigo Tóffano, doutor em Engenharia de Transportes pela Coppe/UFRJ e atualmente professor da Universidade Federal de Goiás (UFG).
Em 2018, sob orientação do professor Glaydston Ribeiro, Tóffano defendeu na Coppe a tese Transportes em Copas do Mundo FIFA: Um procedimento para o cálculo e a minimização da pegada de carbono. O estudo desenvolveu uma metodologia para calcular e reduzir as emissões associadas aos deslocamentos durante os Mundiais.
Caso a Seleção Brasileira chegue à final e conquiste o hexacampeonato, os jogadores terão percorrido cerca de 26 mil quilômetros ao longo da competição. A distância equivale a atravessar o Brasil aproximadamente seis vezes, do Monte Caburaí, em Roraima, ao Arroio Chuí, no Rio Grande do Sul.
À primeira vista, o número impressiona. Mas existe um aspecto positivo nessa projeção. Segundo Tóffano, o Brasil se beneficia de um planejamento logístico que busca reduzir a dependência do transporte aéreo, modalidade responsável pelas maiores emissões entre os meios de deslocamento utilizados durante a Copa. A escolha estratégica da cidade-base e a distribuição das partidas podem diminuir significativamente a necessidade de voos adicionais.
“Quando uma seleção apresenta emissões menores, normalmente isso está relacionado a uma escolha estratégica da cidade-base para minimizar deslocamentos”, explica o pesquisador.
Essa estratégia faz diferença. Entre as seleções consideradas favoritas ao título, o Brasil não aparece entre os cenários mais críticos do ponto de vista ambiental. Em algumas projeções analisadas por Tóffano, equipes que precisariam realizar trajetos aéreos mais longos ao longo das fases eliminatórias apresentariam emissões significativamente maiores.
Um desafio para o esporte do futuro
Os números da Copa de 2026 revelam um desafio que vai muito além do futebol. Grandes eventos esportivos têm enorme capacidade de mobilização social, econômica e cultural, mas também geram impactos ambientais que não podem mais ser ignorados.
Ao mesmo tempo, iniciativas como o planejamento logístico das delegações, a busca por alternativas de transporte menos poluentes e o aprimoramento da infraestrutura urbana mostram que existem caminhos para reduzir esses efeitos.
Quer saber quantas toneladas de carbono podem ser emitidas durante a trajetória brasileira rumo ao título? Clique na reportagem abaixo e confira os cálculos completos.
