Pesquisa desenvolvida na Coppe é premiada nacionalmente por tecnologia para reduzir perdas com furtos em dutos
Planeta COPPE / Engenharia Metalúrgica e de Materiais / Notícias
Data: 20/08/2026

Dissertação de mestrado concluída no Programa de Engenharia Metalúrgica e de Materiais (PEMM) da Coppe/UFRJ foi reconhecida, no dia 12 de agosto, como a melhor do Prêmio ABCM–PIPELINEBRAZIL 2025. De autoria de Lucas Braga Campos, atualmente aluno de doutorado do PEMM, o trabalho desenvolveu um sensor de baixo custo capaz de detectar e localizar perfurações clandestinas em dutos utilizados no transporte de petróleo e gás, contribuindo para reduzir perdas e aumentar a segurança da operação da infraestrutura dutoviária brasileira.
A premiação foi concedida durante o XIII Congresso Nacional de Engenharia Mecânica (CONEM 2026), realizado pela Associação Brasileira de Engenharia e Ciências Mecânicas (ABCM), entre os dias 10 e 14 de agosto.
Desenvolvida no Laboratório de Ensaios Não Destrutivos, Corrosão e Soldagem (LNDC), a pesquisa buscou responder a um desafio de grande relevância para a indústria de petróleo e gás: como ampliar a capacidade de inspeção de uma extensa malha de dutos e identificar rapidamente intervenções clandestinas que provocam perdas de produtos, danos à infraestrutura e riscos à segurança.
O estudo integrou o projeto DETEPIG, um dos vencedores do Prêmio ANP de Inovação Tecnológica 2024, coordenado pelos professores do PEMM Cesar Giron Camerini e Gabriela Ribeiro Pereira, orientadores de Lucas no mestrado. A pesquisa deu origem a um sensor de correntes parasitas de baixo custo, desenvolvido para identificar perfurações mesmo quando os dutos não estão em operação.
A tecnologia tem potencial para contribuir diretamente para a redução de perdas na indústria brasileira. O furto de petróleo e seus derivados, além de representar prejuízos para empresas e para o país, pode elevar custos ao longo da cadeia de produção e distribuição. As perfurações clandestinas também comprometem a integridade dos dutos e podem provocar vazamentos, acidentes, danos ambientais e riscos para as populações próximas às áreas de operação.
Tecnologia voltada aos desafios da indústria
A solução desenvolvida por Lucas parte de uma característica importante da infraestrutura brasileira: a extensão da malha dutoviária e o fato de grande parte dos dutos estar enterrada. Essas condições tornam a inspeção e a localização de perfurações clandestinas um desafio tecnológico e operacional.
Durante o mestrado, o pesquisador desenvolveu e testou diferentes configurações de sensores até chegar a uma bobina de 30 milímetros de comprimento, considerada a mais promissora para a aplicação. A tecnologia permite identificar pequenas alterações na parede do duto provocadas por perfurações.
A pesquisa também avançou para uma aplicação em ferramenta de inspeção. Com aproximadamente 10 quilos, o equipamento desenvolvido no âmbito do DETEPIG utiliza 32 sensores para realizar o sensoriamento de toda a superfície interna do duto. A configuração permite reduzir peso e dimensões em comparação com ferramentas disponíveis no mercado, além de simplificar o sistema de inspeção.
Testes de campo realizados no Centro de Tecnologia em Dutos e Terminais (CTDUT) apresentaram resultados positivos. A ferramenta foi capaz de identificar derivações clandestinas a partir de 6 milímetros de diâmetro e também detectar processos de corrosão nos dutos.
Para Lucas Campos, a possibilidade de realizar inspeções mais frequentes, com uma ferramenta de menor custo e dimensões reduzidas, é um dos principais diferenciais da tecnologia.
“Essa bobina permite que apenas 32 sensores sejam utilizados para inspecionar toda a superfície interna dos dutos. Isso possibilita uma simplificação, redução de peso e dimensões quando comparado com as ferramentas presentes no mercado”, afirma o pesquisador.
Acesse a pesquisa na íntegra: Desenvolvimento de sensor de correntes parasitas de baixo custo para detecção de derivações clandestinas em dutos
