Sensores e IA ajudam a entender o que faz um atleta acertar o chute
Planeta COPPE / Engenharia Biomédica / Espaço Coppe
Data: 14/05/2026

O que acontece quando futebol, sensores corporais e inteligência artificial entram em campo ao mesmo tempo? Na 4ª edição do evento de extensão “Por Que Engenharia”, promovido pela Coppe/UFRJ, estudantes do ensino básico descobriram, na prática, como a engenharia pode transformar um simples chute a gol em dados, análises e conhecimento científico.
Alunos do 3º ano do Curso Técnico em Automação Industrial do Cefet/RJ – Maria da Graça e estudantes do 9º ano do Ciep 074 Municipalizado Casemiro Meirelles, de Belford Roxo, participaram da atividade no dia 13 de maio.
A programação foi conduzida pelo professor Luciano Menegaldo, coordenador do Laboratório de Biomecânica do Programa de Engenharia Biomédica (PEB) da Coppe. Ao longo do encontro, os estudantes conheceram aplicações da engenharia no esporte, passando por temas como condicionamento físico, prevenção de lesões, VAR, tipos de chuteira, gramados e saúde cardiovascular.
Mas foi no campo do Grêmio da Coppe que a experiência ganhou outro significado.
Durante a demonstração da pesquisa “Classificação do nível competitivo em categorias de base do futebol: uma abordagem baseada em sensores inerciais e aprendizado de máquina”, desenvolvida pelo doutorando Anderson Soares, um dos alunos participou de uma atividade prática utilizando sensores corporais enquanto realizava chutes a gol.
Os movimentos captados pelos sensores foram transformados em dados e reproduzidos em um avatar virtual, revelando detalhes do deslocamento, da postura e da dinâmica do chute.
Segundo Anderson, a tecnologia permite reconstruir digitalmente os movimentos dos atletas para analisar padrões de desempenho e até identificar possíveis riscos de lesão. “O sistema reconhece o atleta no campo e consegue reproduzir o movimento de forma muito precisa. A partir daí, conseguimos estudar o deslocamento, o movimento do pé e vários outros aspectos do chute”, explicou.
O objetivo vai além de simplesmente medir desempenho. A pesquisa busca identificar o que diferencia um chute bem executado de outro mal sucedido, além de ajudar a detectar padrões que possam indicar risco de lesão. “O principal é descobrir o que leva um atleta a acertar o chute enquanto outro erra”, resumiu Anderson.
A experiência chamou a atenção dos estudantes justamente por partir de algo próximo da realidade deles: o futebol. Para Caio Pereira, aluno do 3º ano do Curso Técnico em Automação Industrial do Cefet/RJ – Maria da Graça, a atividade mostrou como esporte e tecnologia podem caminhar juntos. “Gostei bastante. É uma ideia inovadora, muito bacana. Sou uma pessoa ligada ao esporte. Gosto muito de futebol, então essa ligação com o esporte, com saúde e bem-estar, é uma coisa que me chama muita atenção.”
O estudante também afirmou que a experiência reforçou seu interesse pela engenharia. “Eu pretendo cursar Engenharia, ainda mais por ter a ver com o curso de Automação.”
Professor da turma do Cefet/RJ – Maria da Graça que participou da atividade, o professor Arcano Bragança destacou justamente a importância desse contato entre teoria e prática para despertar o interesse dos alunos. “A importância maior é justamente criar essa motivação para o aluno, para ele entender que o que aprende em sala de aula tem aplicação prática.”
Segundo Arcano, esse contato direto com a universidade e com a pesquisa também ajuda a estimular novas vocações profissionais. “No quesito da gente criar novos pensadores, novos engenheiros, novos técnicos no mercado, é sensacional. Além de tudo mais, é essa aprendizagem que eles têm aqui, essa vivência com a parte técnica, que eu acho fundamental.”
Além da atividade no campo, os estudantes participaram de visitas guiadas ao Espaço Coppe e conheceram outras pesquisas desenvolvidas na universidade.
Além do futebol, o Laboratório de Biomecânica também desenvolve pesquisas relacionadas a modalidades como corrida, dança, basquete e taekwondo, buscando compreender como a tecnologia pode contribuir para melhorar o desempenho e prevenir lesões.
Ao conectar futebol, tecnologia e pesquisa científica, o “Por Que Engenharia” mostrou aos estudantes que a engenharia pode surgir onde menos se espera — até em um chute a gol — e transformar curiosidade em possibilidade de futuro.
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