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/Estudo da Coppe pode aumentar ecoeficiência e baixar custos do etanol

Um estudo da Coppe para melhorar a ecoeficiência no transporte rodoviário de combustíveis líquidos fornece indicações que podem contribuir para aumentar a competitividade do etanol brasileiro, tanto em relação ao etanol norte-americano no mercado externo como em relação à gasolina no mercado interno.

O trabalho mostrou que as rodovias, que respondem por 96% da movimentação do etanol pelo território nacional, são o pior meio entre nove alternativas possíveis, quando se levam em conta os impactos econômicos e ambientais. As melhores alternativas incluem o uso de transportes intermodais, mas, de acordo com o estudo, o Brasil ainda não tem infraestrutura suficiente para deslocar o combustível por esses outros modos. Por isso, seria viável aperfeiçoar o transporte rodoviário, reduzindo os custos econômicos e ambientais com medidas como a diminuição do número de acidentes rodoviários, alterações nos valores de frete e utilização de até 100% de biodiesel no abastecimento dos caminhões-tanque que transportam o etanol.


Realizado pelos professores Marcio D’Agosto e Ilton Curty, ambos do Programa de Engenharia de Transportes da Coppe, o estudo mostra que o uso de 100% de biodiesel nos caminhões-tanque pode reduzir em 78% as emissões de CO2. Essa proposta, porém, depende do aumento da oferta de biodiesel no mercado. O estudo da Coppe mostra também a necessidade de redução de pelo menos 40% no número de acidentes nas estradas. Cada acidente de transporte rodoviário no Brasil custa em média R$ 65.350,00 e só o estado de São Paulo registra uma média anual de 135 acidentes com transportadoras de líquidos inflamáveis. “Se esses números forem reduzidos, o custo do transporte pode cair na mesma proporção e, como consequência, teremos queda também no preço do etanol”, calcula o professor Ilton Curty.

Os professores da Coppe explicam que, até 2010, o Brasil e os Estados Unidos eram responsáveis por 70% da produção de etanol no mundo, e que a vantagem norte-americana em relação ao Brasil está na eficiente logística, que proporciona melhor preço do produto para o usuário final. “O forte do etanol nacional é sua produção sustentável com baixo custo, e o dos Estados Unidos é a boa rede de distribuição até os portos”, resume Marcio D’Agosto.


De acordo com o levantamento dos professores da Coppe, o Brasil tem uma grande diferencial que precisa ser aproveitado. O país produz por hectare quase o dobro da produção norte-americana e praticamente pela metade do custo. Enquanto a produção brasileira é, em média, de 6,4 mil litros por hectare, a um custo de US$ 137 por tonelada, os Estados Unidos produzem 3,3 mil litros, que custam U$ 235 por tonelada. Mas 60% do produto norte-americano é transportado até os portos por ferrovias, 10% por hidrovias e 30% por rodovias. “Isso torna a operação bem mais barata e menos poluente do que no Brasil, já que 96% de nossa produção segue pelas rodovias, com alto consumo de diesel e lubrificante, emissão de gases de efeito estufa e outras formas de poluição atmosférica”, explica Marcio D’Agosto. Há também os impactos dos acidentes com caminhões-tanque, que, nesse caso, geram mais impactos ambientais, como poluição do solo, da água e também do ar – sem contar os danos pessoais e os danos econômicos aos proprietários.

Do ponto de vista da exportação, a redução dos impactos ambientais do transporte do etanol brasileiro aumentaria a aceitação desse derivado da cana-de-açúcar no exterior, principalmente na Europ