Lista completa

/Perfil


/Argimiro R. Secchi: um gaúcho na linha de frente

Nascido em 25 de outubro de 1965, em Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul, Argimiro Resende Secchi atribui sua opção pela Engenharia Química aos bons professores de matemática e química que teve no segundo grau, hoje denominado ensino médio, cursado no colégio Nossa Senhora da Conceição, na cidade de Passo Fundo (RS).

Graduado em Engenharia Química pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 1986, Argimiro cursou o mestrado (1988) e o doutorado (1992) no Programa de Engenharia Química da Coppe, ambos sob a orientação do professor Evaristo Chalbaud Biscaia Júnior. Cursou parte do doutorado – formato sanduíche – no California Institute of Technology (Caltech – EUA), sob a orientação do professor Manfred Morari.

De volta ao Brasil, tornou-se professor da UFRGS, onde lecionou de 1993 a 2008, ano em que ingressou na Coppe, como professor do Programa de Engenharia Química (PEQ). Na Coppe, Argimiro colaborou para a implantação do Laboratório de Desenvolvimento de Software para Otimização e Controle de Processos (Lades), que entrou em operação em 2008. O objetivo era aperfeiçoar a infraestrutura do grupo de pesquisa do Laboratório de Modelagem, Simulação e Controle de Processos (LMSCP), tornando as instalações físicas compatíveis com a expansão no número de projetos e estudos.

Atualmente na Coppe, o professor atua em linhas de pesquisa como Modelagem e Simulação de Processos Químicos e Biotecnológicos; Controle e Otimização de Processos; Métodos Numéricos para Sistemas de Equações Algébrico-Diferenciais; Escoamento de Fluidos Viscoelásticos e Computação de Alto Desempenho. Também está coordenando uma série de projetos voltados para o setor energético brasileiro que envolve desde os campos do pré-sal e biorrefinaria de produção de etanol de primeira e segunda gerações a unidades de processamento de gás natural.

Desde que chegou à Coppe, Argimiro R. Secchi mantém intensa atividade no ensino e na pesquisa. Sua trajetória rendeu-lhe, este ano, o Prêmio Coppe Giulio Massarani, entregue aos professores com notória trajetória acadêmica. Até o momento, Argimiro orientou 84 dissertações de mestrado, 15 teses de doutorado e sete supervisões de pós-doutorado. No momento, orienta 15 teses de doutorado e 9 dissertações de mestrado na Coppe, em parceria com seus colegas, especialmente o professor Evaristo, que, após 40 anos à frente do grupo de pesquisa, pediu aposentadoria. O professor Argimiro tem 75 artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais e 272 trabalhos completos publicados em anais de congressos. Atualmente, é editor do periódico Brazilian Journal of Chemical Engineering.

A academia como vocação

A vocação para a academia foi revelada ainda no ensino básico. Segundo Argimiro, costumava, nos grupos de estudos da escola, usar o quadro-negro para explicar a resolução de problemas de física e matemática aos colegas. “Era um exercício para o futuro”, brinca.

Antes de completar 15 anos, já tinha decidido que seria engenheiro. Demonstrava enorme curiosidade em descobrir como funcionavam as coisas. Na UFRGS, como projeto de graduação, montou um reator em escala-piloto com um colega, que hoje também é professor, para realizar seus estudos. “Era uma espécie de galpão industrial para testarmos as nossas pesquisas”, relembra.

Nunca se arrependeu da escolha. “Ao entrar na faculdade, constatei ter acertado na decisão”, confessa o professor, que nunca pensou em trabalhar na indústria. Desde o início, desejou seguir a carreira acadêmica. “Queria dar aulas”, afirmou.

Enquanto cursava a graduação na UFRGS, colaborou incentivando os docentes a implantar a pós-graduação em Engenharia Química na universidade. Por iniciativa própria, no último período de curso, em 1986, participou, com sua professora Keiko Wada, do Departamento de Engenharia Química, e demais docentes, de reuniões cujo objetivo era discutir a implantação da pós-graduação. Por coincidência, na época, a Coppe ainda divulgava seus cursos pelas universidades, e dois de seus professores estiveram na UFRGS. “Acho que um deles era o professor Massarani, mas não tenho certeza. O certo é que a proposta dos visitantes veio ao encontro do que pretendíamos e a abraçamos”, conta.

Como resultado da visita, no ano seguinte Argimiro e a professora Keiko ingressaram na Coppe para cursar o mestrado e o doutorado, respectivamente. Devido ao bom desempenho acadêmico, Argimiro foi convidado para cursar o doutorado direto na Coppe. Após retornar da Caltech, no último ano do doutorado, já estava em Porto Alegre para implantar o curso de pós-graduação em Engenharia Química da UFRGS, primeiro como bolsista e, em seguida, como professor aprovado em concurso público.

Sua esposa, a carioca Sirley Garcia Secchi, não gostou da ideia de permanecer no Sul e enfrentar o frio gaúcho. No entanto, aceitou permanecer lá por um tempo, para que a pós-graduação pudesse ser implementada. A primeira turma iniciou-se em 1995, e Argimiro pôde acompanhar a formação dos primeiros mestres. Impedido de pedir transferência para a Coppe em 1997, em virtude de regras criadas pelo Ministério da Educação no governo FHC, permaneceu na UFRGS até 2008. Nesse período, participou da formulação do programa de doutorado em Engenharia Química, cuja primeira turma iniciou em 2004. A primeira tese defendida, em 2007, foi de seu aluno Rafael de Pelegrini Soares, criador do simulador EMSO, bem conhecido na área de simulação e controle de processos químicos.

De volta ao Rio: atividade intensa e longas caminhadas

Mas as desculpas para permanecer em Porto Alegre haviam se esgotado. Em 2008, foi transferido para a Coppe, devido ao esforço do PEQ, cumprindo, assim, a promessa feita a sua esposa, Sirley, que conheceu em 1988, quando cursava o mestrado no Rio de Janeiro, e com a qual se casou em 1990, nos Estados Unidos, durante o período do doutorado. Na época, Sirley, ex-funcionária da Coppe, deixou o Núcleo de Catálise (Nucat) para acompanhá-lo. O casamento, realizado em Las Vegas, com duração de oito minutos, teve duas testemunhas: o ministro da capela e um cinegrafista.

Filho da ex-professora primária do Estado Maria Clair Resende Secchi e do ex-funcionário do Banco do Brasil Ary João Secchi, Argimiro teve duas filhas com Sirley: Sabrina Garcia Secchi (22 anos), formanda do curso de Engenharia de Bioprocessos da Escola de Química da UFRJ, e Karin Garcia Secchi (17 anos), que iniciou o curso de Biologia na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

Argimiro confessa que tem ciúmes das filhas, mas revela que as duas também têm muito ciúme, não dele, mas da Coppe e de suas respectivas tarefas que consomem praticamente 12 horas do seu dia. Elas reclamam da ausência do pai, que, por sua vez, admite estar pensando em reduzir um pouco esse ritmo tão agitado.

Mas o tempo reduzido não impede Argimiro de exercitar seu lazer predileto: dar longas caminhadas pela praia de Botafogo, bairro onde mora. Só não pratica mais intensamente porque suas filhas e a esposa não o acompanham e ele não gosta de fazer nada sozinho, reclama duplamente o professor. No futebol, também teve de se contentar com a solidão: o torcedor do Internacional, do Rio Grande do Sul, convive diariamente com três vascaínas ferrenhas e uma gata preta e branca, Kiki.

Destaque Home: 
0
perfil_data_atualizacao: 
terça-feira, Junho 4, 2013
  • Publicado em - 18/11/2014

  • Atualizado em - 04/06/2013