Altas temperaturas já impactam segurança e operação dos transportes
Planeta COPPE / Engenharia de Transportes / Notícias
Data: 05/12/2025

As ondas de calor extremas, cada vez mais frequentes e intensas no mundo, já provocam impactos diretos na infraestrutura e na operação dos sistemas de transporte. Rodovias que se deformam, trilhos que entortam, pistas de aeroportos que se deterioram e mudanças no comportamento de usuários e trabalhadores compõem um cenário que pressiona serviços essenciais a funcionar em condições inéditas — com efeitos sobre segurança, confiabilidade e inclusão.
Esse diagnóstico é apresentado no relatório “Ondas de Calor e Seus Efeitos nos Sistemas de Transporte: Uma Revisão Abrangente”, que contou com a participação da professora Andrea Santos, da Coppe/UFRJ. A pesquisadora integra o painel internacional convocado pelo Global Facility for Disaster Reduction and Recovery (GFDRR), do Banco Mundial, e pela Universidade Purdue, nos Estados Unidos. O documento reúne evidências científicas para quantificar os efeitos do calor extremo sobre ativos e operações de transporte, apontando avanços e lacunas — especialmente em países de baixa e média renda.
O estudo analisa impactos físicos, operacionais e comportamentais em diferentes modais, como rodovias, ferrovias, transporte aéreo, transporte público e mobilidade ativa. Em todas as categorias, a conclusão é semelhante: as altas temperaturas podem comprometer a integridade das estruturas, alterar padrões de uso e elevar riscos, exigindo medidas de adaptação mais robustas.
O relatório também destaca desigualdades sociais que ampliam a vulnerabilidade ao calor. Fatores como renda, idade e gênero influenciam os riscos enfrentados por usuários e trabalhadores, como idosos expostos em longas esperas e profissionais que atuam a céu aberto. Para os autores, incorporar critérios de equidade é fundamental para soluções eficazes e socialmente justas.
A publicação é acompanhada da nota técnica “Preparando Sistemas de Transporte Resilientes para Ondas de Calor”, que sintetiza os principais impactos e apresenta estratégias práticas para mitigação e adaptação. Entre as recomendações estão: identificar vulnerabilidades críticas, desenvolver caminhos flexíveis de adaptação, aprimorar a governança em situações de calor extremo e planejar a implementação de forma faseada. O documento também alerta para efeitos indiretos de soluções tecnológicas, como pavimentos resfriados que podem refletir calor adicional para pedestres.
Ao integrar conhecimento técnico, evidências científicas e orientações estratégicas, o trabalho oferece subsídios para que países e cidades se preparem para o “perigo silencioso” das ondas de calor. Para a professora Andrea Santos, a cooperação internacional é decisiva: sistemas de transporte resilientes ao calor representam não apenas uma resposta às mudanças climáticas, mas também um investimento em segurança, eficiência e justiça social.


















