Clube de Jogos Coppe amplia rede e consolida ecossistema de inovação
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Data: 18/12/2025

A segunda edição do Clube de Jogos Coppe, realizada em 10 de dezembro durante a Semana Acadêmica e Cultural da Coppe, mostrou que o evento vai além de uma vitrine pontual: está se consolidando como um espaço permanente de inovação, troca de conhecimento e fortalecimento de um ecossistema de criação de jogos dentro e fora da universidade.

Segundo Mateus Espanha, doutorando do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação (PESC) e um dos organizadores, o Clube está em processo de institucionalização, com o objetivo de se tornar um projeto de extensão formal da Coppe, registrado no SIGA da UFRJ. A iniciativa busca conectar pesquisadores, laboratórios e grupos que utilizam jogos como ferramenta científica, educativa e de divulgação, além de fortalecer parcerias externas, como a colaboração com a Fiocruz.
O Clube nasceu da articulação entre o projeto de extensão EDS Maker, o LabEscola 3D e o Laboratório Ludes, mas rapidamente se expandiu para envolver diversas unidades da UFRJ e grupos que antes atuavam de forma isolada. Esse crescimento ampliou a diversidade de projetos apresentados, incluindo desde simulações digitais voltadas à área da saúde até jogos de tabuleiro aplicados ao ensino básico, consolidando o Clube como um ponto de convergência interdisciplinar.
Entre os destaques está o SOS SCA, jogo de simulação digital desenvolvido para capacitar médicos no diagnóstico de infarto, que ilustra o potencial dos jogos como tecnologia social de impacto real. Outros exemplos reforçam essa abordagem inovadora, como o jogo de tabuleiro Através do Espelho, desenvolvido pela estudante Raiane Pacheco, da Licenciatura em Física do Instituto de Física da UFRJ, como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com apoio do LabEscola 3D.
“Só consegui fazer o jogo por causa do LabEscola 3D. Usei impressora 3D, recebi ajuda de design, modelagem e identidade visual. Tudo foi construído lá”, relata Raiane. A participação no Clube de Jogos ampliou o alcance do projeto e suas próprias perspectivas acadêmicas: “Sempre pensei o jogo para a sala de aula. Vir aqui foi descobrir outro mundo, com um público diverso, de game designers a pessoas de áreas diferentes. Mudou até minha visão sobre fazer mestrado.”

Coorientador do trabalho, o professor Carlos Frederico Rodrigues, do Colégio Pedro II, destaca a relevância científica e educacional do Clube ao legitimar o uso de jogos como ferramenta pedagógica. “Ter um evento desses dentro da Coppe dá visibilidade e legitimidade. Coloca o jogo de tabuleiro dentro de um contexto referendado socialmente, o que abre caminho para muitos projetos”, afirma. Segundo ele, o jogo foi aplicado com sucesso em turmas do ensino médio e no Projeto Arquimedes, da ONG Instituto Sabendo Mais, em parceria com a UFRJ, voltado a alunos com altas habilidades de escolas públicas do Complexo da Maré e arredores.

Outro exemplo do ecossistema em expansão é a plataforma ROTA, desenvolvida no Centro de Estudos e Práticas de Engenharia para Desastres (Ceped), que utiliza gamificação e realidade aumentada para educação em prevenção de riscos. Apresentado por Mateus Rocha, estudante de Design Industrial da UFRJ e bolsista de iniciação científica do Ceped, o projeto evidencia como o Clube funciona como espaço de experimentação e amadurecimento de soluções inovadoras. “O uso de técnicas de gamificação ajuda a atrair as pessoas e, ao mesmo tempo, transmitir conteúdo sério. Aqui recebemos feedbacks, testamos ferramentas e isso faz parte do desenvolvimento do projeto e da nossa formação”, avalia.
Para Mateus Espanha, a meta agora é aprofundar essa expansão, transformando o Clube de Jogos Coppe em um ponto de convergência para toda a universidade, onde diferentes áreas do conhecimento possam colaborar e aplicar jogos como ferramenta pedagógica, científica e social. A terceira edição já está prevista para o próximo ano, com a perspectiva de manter encontros constantes, estimular novos protótipos e consolidar um ecossistema de criação e pesquisa em jogos cada vez mais robusto e interconectado.


















