Ciência se faz com diversidade
Planeta COPPE / Institucional Coppe / ODS 5 - Igualdade de gênero
Data: 11/02/2026
Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência

Nesta quarta-feira, 11 de fevereiro, o mundo celebra o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. A data foi criada pela Unesco em 22 de dezembro de 2015, por meio da Resolução 70/212 da Assembleia Geral das Nações Unidas, e é comemorada anualmente com o objetivo de promover a igualdade de gênero no setor científico. A iniciativa também propõe uma reflexão sobre os avanços conquistados e os desafios que ainda persistem.
No Brasil, embora as mulheres representem quase metade dos pesquisadores, o cenário permanece desafiador nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Apenas 14% dos profissionais das Engenharias são mulheres. Nas áreas de Computação e Matemática, esse percentual é de 18%. Entre as bolsas de produtividade de nível mais alto (PQ-1A), apenas 24% são concedidas a cientistas mulheres.
A Coppe é atualmente liderada pela professora Suzana Kahn, a segunda mulher a ocupar o cargo de diretora da instituição. Sua gestão se caracteriza por uma composição equilibrada da diretoria, com seis mulheres entre seus 11 integrantes, além de um ecossistema de inovação formado majoritariamente por mulheres.
A professora Angela Uller foi a primeira mulher a dirigir a Coppe, de 2003 a 2007. Seu pioneirismo também marcou outras instâncias da universidade: foi a primeira diretora da Fundação Coppetec, a primeira pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da UFRJ e a primeira coordenadora da Unidade Embrapii-Coppe.
Para Angela Uller, o acesso das mulheres a direitos e oportunidades apresentou avanços significativos desde o início de sua trajetória acadêmica. “Acho que as mulheres realmente galgaram muitos degraus e os homens também passaram a se conscientizar de que precisam dividir igualmente as responsabilidades na família”, avalia.
Suzana Kahn compartilha dessa percepção. “Eu vejo meus colegas homens na diretoria dividindo os cuidados com a família, com a criação dos filhos e com suas esposas. As novas gerações estão sendo formadas de maneira mais equitativa, e isso trará impactos positivos no futuro”, afirma.

Ambas concordam que a desigualdade no acesso a oportunidades costuma se manifestar antes do ingresso na universidade. Para Angela, a formação familiar tem papel central nesse processo. “Sempre achei que isso é uma questão de criação. Eu tive um pai extremamente progressista, que educava meninas e meninos da mesma forma, para estudar, trabalhar e ser independentes. Isso vai sendo internalizado e gera segurança para a vida, mostrando que não há diferença entre homens e mulheres quando são tratados de forma igual. Isso foi muito importante para a minha carreira”, relata.
Ela complementa que, ao ingressar na universidade, havia poucas mulheres docentes e nenhuma em cargos de chefia. “Hoje, olhando com atenção, houve uma grande evolução. Ainda não chegamos a uma equidade plena, mas os avanços são significativos”, observa.
Na avaliação de Suzana Kahn, em uma unidade acadêmica como a Coppe não existem barreiras institucionais à ascensão feminina, embora persistam desafios estruturais. “Cada vez mais, o nível de escolaridade das mulheres supera o dos homens. Em áreas como a Medicina, elas já são maioria e com forte destaque acadêmico. Esse avanço é perceptível quando se observa a universidade como um todo, mas não ocorre com a mesma intensidade na engenharia, que é uma área bastante específica.”
Na Coppe, a cada três estudantes, uma é mulher e, no corpo docente, a participação feminina é de aproximadamente 20%.
Suzana também destaca que, em outros ambientes profissionais, a desigualdade tende a se perpetuar. “Em contextos predominantemente masculinos, a liderança masculina tende a se reproduzir, pois muitas vezes se busca no sucessor alguém com quem se identifica. Isso cria um círculo vicioso, reduzindo a diversidade. Sem intervenções que rompam esse ciclo, a situação se mantém.”
Para a diretora, a diversidade é um fator essencial para a inovação. “Em qualquer ambiente, quanto maior a diversidade de pessoas, com diferentes perspectivas e formas de pensar, melhores são os resultados em termos de criatividade e produtividade. Políticas de diversidade são importantes para romper esses ciclos, desde que tenham critérios e prazos bem definidos”, avalia.
Os avanços alcançados podem parecer insuficientes para quem vivencia o presente. “Quem vive o tempo atual deseja transformações mais rápidas, o que é compreensível. No entanto, quando se observa a trajetória histórica, os avanços foram significativos”, reforça Angela Uller.
Dar visibilidade a trajetórias como as de Angela Uller e Suzana Kahn reafirma um princípio fundamental: a ciência se fortalece quando incorpora diferentes experiências, perspectivas e vozes. Mais do que reconhecer conquistas, é preciso incentivar que meninas acreditem em seu potencial e ocupem, com confiança, os espaços da pesquisa, da engenharia e da inovação. Que sejam muitas Suzanas, Ângelas, Marias, Denises, Tatianas — e tantas outras — ingressando na universidade, liderando projetos e transformando o país por meio da ciência.


















