Promovendo a inclusão: Coppe e Fiotec lançam material didático para qualificação profissional de pessoas surdas

No dia 17 de julho, pesquisadores da Coppe em parceria com a Fundação de Apoio à Fiocruz (Fiotec) lançarão um material didático destinado à formação profissional de pessoas surdas. Trata-se de um conjunto de três livros com finalidades distintas e integradas para a construção de ambientes de trabalho inclusivos e produtivos, nos quais cada trabalhador possa se desenvolver social e profissionalmente em fundações ou em instituições semelhantes. 

O material é o mais recente produto desenvolvido no âmbito do Projeto de Inserção Profissional Qualificada de Pessoas com Deficiência no Ambiente de Trabalho (Projeto IPQ). Desde 2021, uma equipe multidisciplinar do Laboratório Trabalho e Formação (LT&F), do Programa de Engenharia de Produção da Coppe/UFRJ, realiza diversos estudos e atividades de enfrentamento aos problemas de acesso, aproveitamento e participação de PCDs em ambientes profissionais. Sob a coordenação do professor da Coppe, Fabio Zamberlan, a equipe desenvolveu uma série de produtos ao longo desses três anos analisando níveis gerenciais e entrevistando funcionários para entender a situação do problema. 

Apesar da Lei de Cotas (Lei 8213/91) garantir um número mínimo de empregados com deficiência, na prática, algumas empresas cumprem a cota, mas sem se preocupar com o desenvolvimento e inclusão dos funcionários. “A dificuldade, muitas vezes, de quem contrata é justamente não ter as condições para fazer com que esse profissional se desenvolva”, explica Zamberlan. Segundo ele, existem várias maneiras de assegurar a inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. “Algumas são até lícitas mas, eticamente condenáveis. Eu posso, por exemplo, contratar uma pessoa e deixá-la em casa ou ela não vir trabalhar. Ou vir trabalhar, mas ficar num canto, igual uma planta, não fazendo nada”.

O projeto atua em três frentes, cada qual por um livro: 

  • Formação para o Trabalho – Auxiliar Administrativo, para formar pessoas surdas que irão ingressar no mercado de trabalho e que tenham pouca ou nenhuma experiência de trabalho na área administrativa. Esta obra qualifica essa pessoa para a função de Auxiliar Administrativo.
  • Formação para o Trabalho – Assistente Administrativo II, para quem já se encontra empregado e que queira e possa ter, de fato, uma carreira profissional nessas organizações. Este material qualifica esses trabalhadores para atuarem na função de Assistente Administrativo II.
  • Formação para o Trabalho – Mudança Atitudinal, é voltado para profissionais que irão trabalhar com as pessoas surdas em seus respectivos ambientes de trabalho, visando a três aspectos fundamentais: mudanças atitudinais, melhoria na comunicação e alteração da organização do trabalho para um processo qualificante para todos. 

“Muitas vezes a gente fica olhando os aspectos físicos de acessibilidade, mas tem coisas que são atitudes, é o software da coisa. As empresas precisam mudar suas atitudes”. Segundo ele, as organizações precisam ensinar Língua Brasileira de Sinais (Libras) para as pessoas sem diagnóstico se comunicarem com as pessoas surdas. E, quanto à estrutura organizacional, ela precisa ser qualificante. “Se eu quero uma organização que ninguém aprende nada, inclusive aqueles que não são surdos, ninguém vai aprender nada”, explica.  

 Prestigie: o evento será realizado no Auditório Alberto Luiz Coimbra, às 9h, no Bloco G, do Centro de Tecnologia da UFRJ. 

Transformar conhecimento em inovação? Pesquisadores são contemplados no Programa Doutor Empreendedor

Evandro Luiz Cardoso Macedo (à esquerda) e André Tiago Queiroz

Os pesquisadores da Coppe/UFRJ, Evandro Luiz Cardoso Macedo e André Tiago Queiroz, tiveram seus projetos contemplados no programa, da Faperj, Doutor empreendedor: Transformando conhecimento em inovação. O resultado final do edital foi divulgado dia 4 de julho e, ao todo, foram contemplados 40 pesquisadores de todo o estado do Rio de Janeiro, sendo cinco na área de Engenharias.

Evandro Macedo, pesquisador do Laboratório de Redes de Alta Velocidade (Ravel) do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação da Coppe, foi contemplado pelo projeto “Controle Dinâmico e Eficiente do Fluxo de Passageiros e Tripulantes em Cruzeiros e Embarcações de Grande Porte”.

O projeto tem como finalidade desenvolver uma ferramenta computacional para o controle eficiente de pessoas em embarcações de grande porte a fim de atender às crescentes demandas de movimentações em portos provocadas, por exemplo, por cruzeiros e navios de carga. De acordo com o pesquisador, será possível monitorar quem está a bordo em uma embarcação, quem irá embarcar ou mesmo sair dela, de forma a se controlar o fluxo de pessoas.

Para tanto, serão utilizadas leitura de códigos MRZ dos documentos dos tripulantes (que estão presentes em uma área específica da documentação, com dados pessoais do titular, e que só podem ser lidos por uma máquina), e inteligência artificial para reconhecimento facial. As técnicas que estão sendo utilizadas neste projeto culminaram na criação de uma startup, que em breve ingressará na Incubadora de Empresas da Coppe.

André Queiroz, pesquisador do Laboratório de Fontes Alternativas de Energia (Lafae) do Programa de Engenharia Elétrica (PEE) da Coppe, foi contemplado com o projeto “Desenvolvimento de um Catamarã Autônomo Solar para Monitoramento Ambiental”.

O projeto é da startup Innomaker, incubada na UFF, da qual André é sócio fundador, e conta com a parceria do Grupo de Simulação e Controle em Automação e Robótica (GSCAR) do PEE e da startup dotBot Robotics da Incubadora de Empresas da Coppe.

O projeto contemplado consiste no aperfeiçoamento tecnológico do Innobat, que é um catamarã não tripulado movido à energia solar, desenvolvido para monitorar remotamente a qualidade das águas em orlas, baías e demais regiões costeiras. O aperfeiçoamento envolve a parte de automação e de controle remoto da embarcação, por meio da implantação do Jetson, que é um sistema autônomo e inteligente; e de um Sistema Operacional de Robôs (ROS). Além disso, também será implantada uma antena da Starlink para potencializar a transmissão de dados via internet para o centro de operações da Innomaker, onde fica o piloto.

Para o monitoramento da qualidade da água, o Innoboat, que tem 2,3 m de comprimento, 1,5 m de largura e pesa 80 kg, possui acoplado abaixo do convés uma sonda multiparamétrica que é capaz de analisar os dados da qualidade da água e mostrá-los para um operador que se encontra no centro de operações. A embarcação foi projetada para realizar este monitoramento, com mais segurança e maior qualidade na coleta dos dados e menor custo, em comparação com o monitoramento tradicional que utiliza embarcações tripuladas movidas a motores de combustão. Os dados do Innoboat são transmitidos em tempo real para um dashboard (painel visual de controle), de forma que as ações possam ser tomadas com mais agilidade e precisão por parte dos órgãos responsáveis. Para tanto, ele conta um sistema de comunicação para envio das informações em tempo real de dados coletados por sensores nele embarcados.

Segundo a Diretoria de Tecnologia de Faperj, é fundamental criar massa crítica de inovação, induzir a diversificação da economia e ampliar a competitividade e sofisticação produtiva do estado e também disseminar a cultura empreendedora na pós-graduação, fomentar a interação universidade-empresa e gerar novas alternativas para os doutores titulados no estado.

Nove projetos inovadores da Coppe classificados para competição na China

Nove inovadores projetos de pesquisa, desenvolvidos na Coppe, com alto grau de prontidão tecnológica foram aprovados para participarem em uma competição de inovação industrial na China. A competição, promovida pelo Ministério da Indústria e Tecnologia de Informação (MIIT) chinês, foi aberta a empresas, institutos de pesquisa, parques tecnológicos e universidades dos países que compõem os Brics+.

Os nove projetos foram apresentados a representantes do MIIT nesta quarta-feira, 10 de julho, no espaço Conexão Coppe-I. Na ocasião, pesquisadores da Coppe apresentaram seus projetos, no formato “pitch”, em temas como robótica, automação industrial, captura, uso e armazenamento de carbono (CCUS), produção de hidrogênio verde e outras aplicações tecnológicas de baixo carbono.

Em agosto, um comitê de especialistas selecionará 200 projetos finalistas, 40 para cada uma das cinco áreas temáticas da competição:

  •  “Inteligência Artificial – Modelos de Linguagem Avançados”,
  •  “Manufatura Inteligente – Equipamentos Inteligentes”,
  • “Indústrias Verdes – Tecnologias e Aplicações de Baixo Carbono”,
  • “Economia de Baixa Altitude – Aviação Geral”
  • “Eletrônica de Energia – Fotovoltaicos e Novos Armazenamentos de Energia”

A seleção final será realizada numa combinação de atividades online e presenciais, incluindo roadshows, defesas e avaliação por especialistas. Haverá prêmios para os três melhores projetos em cada área. Os projetos vencedores serão anunciados no site oficial após a aprovação do Comitê Organizador.

A cerimônia de premiação ocorrerá no âmbito do Fórum de Parceria dos Brics sobre a Nova Revolução Industrial.

Confira, abaixo, o video com a chegada da comitiva chinesa e a reunião realizada no Coppe-I.

Pela primeira vez no Brasil, a Coppe recebe colóquio internacional sobre perfuração profunda

A Coppe/UFRJ recebeu na semana passada o 6º Colóquio Internacional sobre Dinâmica Não Linear e Controle de Sistemas de Perfuração Profunda – Sixth International Colloquium on Nonlinear Dynamics and Control of Deep Drilling Systems.

Realizado pela primeira vez no Brasil, o evento foi coordenado pelos professores Thiago Ritto e Daniel Castello, do Programa de Engenharia Mecânica, e pelos professores Balakumar Balachandran (Universidade de Maryland, EUA); Emmanuel Detournay (Universidade de Minnesota, EUA); e Nathan van de Wouw (Universidade de Tecnologia de Eindhoven, Holanda).

Foram 18 apresentações de pesquisadores convidados, um painel sobre os desafios na pesquisa em dinâmica de perfuração profunda e uma visita técnica ao Laboratório de Acústica e Vibrações (Lavi).

As apresentações evidenciaram que para satisfazer as crescentes exigências nas práticas de perfuração, novos progressos necessitam de esforços colaborativos em áreas de pesquisa diversas, incluindo ciências computacionais, sistemas dinâmicos, vibrações estruturais não lineares, geomecânica, tecnologia de perfuração e teoria de controle

 O evento foi promovido pela Associação Brasileira de Engenharia e Ciências Mecânicas (ABCM) e contou com o patrocínio e apoio Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do estado do Rio de Janeiro (Faperj), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e das empresas Tomax, SLB, Halliburton e ExxonMobil.

Alcance internacional: na Ásia, Coppe participa de eventos mundiais de Offshore e assinatura de MoU

O mês de junho foi marcado pela participação da Coppe em dois eventos que reuniram, na Ásia, os principais nomes internacionais no mercado de offshore.

De 9 a 14 de junho, uma comitiva de professores e pesquisadores de diferentes programas da Coppe/UFRJ estiveram presentes à 43ª Conferência Internacional de Engenharia Oceânica, Offshore e Ártica (OMAE) 2024, realizada em Cingapura.

Estiveram presentes os professores Jean-David Caprace; Marcelo Igor; Milad Shadman; Murilo Vaz; e Segen Estefen; Theodoro Antoun (todos do Programa de Engenharia Oceânica) e Luís Sagrilo, do Programa de Engenharia Civil. A conferência, organizada pela American Society of Mechanical Engineers (ASME), trouxe forte viés de sustentabilidade e transição energética, e os pesquisadores da Coppe fizeram apresentações sobre descomissionamento sustentável, geração de energia offshore, economia azul, captura e armazenamento de carbono, dutos e corrosão de equipamentos offshore.

Já nos dias 17 e 18, os professores Jean-David Caprace; Milad Shadman; Murilo Vaz; e Segen Estefen participaram do 3º Fórum China-Brasil de Tecnologia Offshore, realizado em Shenzhen (China). Os professores abordaram os trabalhos de pesquisa e desenvolvimento do Núcleo de Estruturas Oceânicas (NEO) do Laboratório de Simulação de Processos de Engenharia Naval (Labsen), do Grupo de Energias Renováveis no Oceano (Gero) e do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo).

No Fórum, o professor Jean-David Caprace apresentou trabalhos sobre o papel do aprendizado de máquina no monitoramento da corrosão de equipamentos na indústria offshore e sobre a incorporação de incertezas ao descomissionamento de dutos submarinos.

Além disso, a Coppe assinou no dia 28 de junho um memorando de entendimento (MOU) com o China-Latin America and Caribbean Technology Transfer Center (CLTTC). O acordo tem vigência de três anos e prevê atividades conjuntas, como sessões de treinamento, conferências, fóruns, simpósios e projetos de pesquisa em diversas áreas, de modo a promover o intercâmbio e a difusão da inovação tecnológica.

Rede Refugia: Transformando pesquisa acadêmica em impacto social

O Programa de Engenharia de Produção (PEP) da Coppe/UFRJ lançou, no dia 28 de junho, a Rede Refugia. Desenvolvida por uma equipe multidisciplinar no âmbito do Centro de Estudos e Pesquisas em Engenharia para Desastres (Ceped) da Coppe/UFRJ, a plataforma é mais um exemplo de iniciativa que nasce no ambiente acadêmico, se desenvolve e gera impacto para a sociedade.

Realizado no Auditório Alberto Luiz Coimbra, no Centro de Tecnologia da UFRJ, o evento contou com rodas de conversas com imigrantes de diversas origens, representando a diversidade das comunidades. Os participantes debateram sobre experiências no Brasil e expectativas para a II Conferência Nacional sobre Migração, Refúgio e Apátrida, que ocorrerá em novembro em Foz do Iguaçu (PR). A conferência
tem o objetivo de discutir políticas públicas e estratégias eficazes para garantir a integração e o acolhimento digno de migrantes e refugiados em todo o país.

Destacando-se por sua abordagem inclusiva e participativa, a Rede Refugia não é apenas para refugiados e migrantes, mas foi desenvolvida em conjunto com essas comunidades. Houve um cuidadoso trabalho de escuta das principais demandas e necessidades desses grupos, garantindo que ela seja verdadeiramente útil e relevante para quem a utiliza. “A colaboração dos próprios refugiados em todas as etapas de criação foi
fundamental dentro do contexto de desastres e ajuda humanitária”, explicou o coordenador do Ceped/Coppe, Tharcisio Fontainha. Segundo o professor, o beneficiário não é um ator passivo, que apenas recebe ajuda humanitária, mas se engaja na sua própria vinculação a um novo território. “A tecnologia é um instrumento para potencializar essas relações”, enfatiza.

Idealizada pelo doutorando Estevão Leite durante seu curso de mestrado no PEP, a plataforma tem o objetivo de fortalecer as comunidades de migrantes e refugiados que já existem no Brasil, ocupando um lugar instrumental de apoio, mas não substitui o papel do estado na garantia dos direitos. “A tecnologia não cria a colaboração entre refugiados, mas se estabelece como uma ferramenta digital para facilitar esses
encontros”, explica Estevão.

Para a diretora de Planejamento e Desenvolvimento Institucional da Coppe, Amanda Xavier, a Rede Refugia materializa o papel das universidades, que é o desenvolvimento do conhecimento para impactar positivamente a vida das pessoas. “É um resultado concreto de compreendermos a ciência como serviço da sociedade trazendo legitimidade para o plano diretivo da instituição, transformando pesquisa acadêmica em impacto social” explica.

Projeto da Coppe voltado para inserção de jovens mulheres nas áreas tecnológicas é finalista em concurso da SBC

O projeto “Jornada da Heroína Aprendiz”, desenvolvido por pesquisadores do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação (Pesc) da Coppe/UFRJ, é um dos cinco finalistas do concurso “Selo de Inovação SBC 2024”, promovido pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC). O projeto é voltado para a capacitação de jovens mulheres, com idades entre 15 e 21 anos, de forma a melhorar suas habilidades e as motivar a atuarem nas áreas STEM – Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.

O resultado final do concurso sairá dia 22 de julho, durante o Congresso da SBC, no qual os proponentes finalistas apresentarão um pitch decisivo para a classificação final.

Possuindo um modelo considerado como inovador para revolucionar o aprendizado, o projeto Heroine’s Learning Journey (como foi registrado em inglês) é liderado pelos pesquisadores do Pesc/Coppe, Luis Felipe Coimbra Costa e Yuri Lima. O objetivo é reduzir a desigualdade de gênero nas áreas STEM, com um foco especial na computação. Ele foi estruturado por três grupos de pesquisa, do Brasil e de Portugal: os do Laboratório de Ludologia, Engenharia e Simulação (Ludes) e do Laboratório do Futuro, ligados ao Pesc da Coppe, e o do Departamento de Matemática do Instituto Superior Técnico (IST), de Lisboa.

Conforme explica Luis, vários cursos podem ser oferecidos usando este modelo, dos quais, alguns podem exigir somente a inscrição do público feminino, e outros podem permitir a participação de todos os gêneros.

Em 2022, o modelo foi validado cientificamente no IST, após uma análise dos resultados alcançados na segunda edição de um curso online e gratuito de Machine Learning (Aprendizagem de Máquinas). O curso foi aberto a todos os gêneros, mas, nesta segunda edição, que foi aplicado no Brasil, ao mesmo tempo que em Portugal, o foco maior foi na atração e motivação de meninas com o uso da metodologia do projeto. Como resultado, os pesquisadores perceberam um aumento de 73,9% na motivação delas para completar o curso, e registraram um aumento do percentual da participação feminina que passou de 37,3% para 59,2%. Ou seja, no primeiro curso os homens representavam mais de 60% dos alunos, e, no segundo, elas praticamente inverteram a posição.

O projeto tem como base os estudos realizados por Luis para sua tese de doutorado defendida em 2023, sob orientação do professor do Pesc/Coppe e coordenador do Ludes, Geraldo Xexéo, e co-orientação da professora Ana Moura Santos, do Departamento de Matemática do Instituto Superior Técnico (IST), de Lisboa, onde Luis cursou o doutorado em co-tutoria, atuando como pesquisador visitante. Parte dos estudos foi realizada no Laboratório do Futuro, onde Luis e Yuri Lima já estavam executando o projeto Igualdade STEM, com orientação do professor do Pesc/Coppe, Jano Moreira. A partir daí, Luis e Yuri passaram a trabalhar em conjunto nos dois laboratórios da Coppe, liderando equipes de pesquisas voltadas para a inserção feminina nas áreas tecnológicas, sob coordenação geral dos professores Ana, Jano e Xexéo.

Agora, com apoio das startups LABORe, brasileira nativa do Pesc/Coppe, e Inovlabs, de Portugal, será oferecido um curso de Inteligência Artificial, baseado nas indicações da UNESCO para o uso de IA na educação nos dois países, aplicando o modelo da Jornada da Heroína Aprendiz. O novo curso já começou a ser desenvolvido por Luis Felipe, um dos coordenadores pela Inovlabs, e por Yuri Lima, que é sócio proprietário da LABORe. A expectativa é que seja ofertado no início de 2025.

Em paralelo, os pesquisadores buscam realizar parcerias com empresas que pretendem capacitar mulheres nas áreas STEM, oferecendo serviços pelas duas startups. Além disso, as instituições que tenham interesse podem utilizar, de forma gratuita, a plataforma (framework) do sistema desenvolvido.

O projeto já obteve outros reconhecimentos, a exemplo do prêmio de melhores práticas do IST, e do prêmio de Melhor Artigo publicado no IV Simpósio Brasileiro de Educação em Computação, o EduComp 2024, destacando-se por sua abordagem inovadora no campo da educação. Intitulado “STEM Education for Young Women via Heroic Narratives: Evaluating the Heroine’s Learning Journey”, o artigo tem como autores Luis Felipe, Yuri Lima, Jano Moreira, Geraldo Xexéo e  Ana Moura Santos, além dos pesquisadores Carlos Eduardo Barbosa e Luciana Nascimento, e da aluna de mestrado Larissa Galeno, todos do Pesc/Coppe. Agora, um novo artigo com praticamente os mesmos autores acaba de ser aceito para publicação em outra renomada revista internacional, a Computing in Science and Engineering, CISESI.

Manifesto: Sobre a Avaliação de Títulos e Trabalhos na Coppe/UFRJ

Este manifesto versa sobre o parágrafo 4 do Artigo 47 da Resolução número 15 do Conselho Universitário (CONSUNI) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e os potenciais impactos negativos que sua interpretação rígida pode trazer aos institutos da universidade. O parágrafo do CONSUNI determina que “o julgamento de Títulos e Trabalhos deve seguir a tabela com pontuações e critérios de cada instância acadêmica, devidamente aprovada por seu órgão colegiado superior e publicada no Boletim da UFRJ até a data final de inscrições prevista no edital de abertura do Concurso Público.”

Considere-se, incialmente, que, no rito do Concurso Público para Professor da Carreira de Magistério Superior, são contemplados critérios de homologação da inscrição dos candidatos, no intuito de habilitar sua participação. Em particular, no Instituto Alberto Luiz Coimbra de Engenharia e Pesquisa de Pós-Graduação (COPPE), estes critérios envolvem, além da pertinência em títulos obtidos e em atividades e trabalhos realizados, também a avaliação quantitativa da produção científica de acordo com os critérios de classificação estabelecidos nas Normas que regulamenta a avaliação de docentes da COPPE/ UFRJ. Desta forma, candidatos com sua inscrição homologada iniciam o concurso atendendo a um critério mínimo estabelecido pela unidade e serão diferenciados pelo desempenho acima desse limiar nas provas.

Na avaliação dos candidatos homologados, o estabelecimento de critérios rígidos com percentuais pré-estabelecidos para diferentes itens pode causar distorções inaceitáveis. O Instituto Alberto Luiz Coimbra de Engenharia e Pesquisa de Pós-Graduação (COPPE) compreende 13 programas em diferentes áreas de engenharia e ciência da computação, cada qual com especificidades bem distintas. Essas diferenças requerem, inclusive, diferentes comissões avaliadoras na CAPES para as diversas áreas de atuação da COPPE. Além disso, existem nítidas distinções entre subáreas dentro do mesmo campo. Por exemplo, documentos de área de Computação da CAPES já destacaram que fatores de impacto, como JCR e H-index, variam significativamente entre subáreas, dificultando comparações diretas de índices de impacto.  Esse é apenas um exemplo.  O problema se intensifica ainda mais em áreas multidisciplinares. Portanto, é impossível capturar adequadamente toda a diversidade inerente às diferentes áreas de atuação em índices numéricos resumidos em uma planilha. Buscar um indicador médio aplicável a áreas tão diversas e com condições distintas apresenta um risco considerável de negligenciar ou subavaliar contribuições relevantes em uma área em comparação com outra. Outro exemplo é a dificuldade de avaliar a produção resultante de pesquisa em rede com muitos coautores usando um indicador simples. A lista de exemplos onde a aplicação de índices “gerais” causa distorções inaceitáveis para uma avaliação cuidadosa é extensa.

É por isso que o papel das comissões de especialistas é vital. Essas comissões devem ter autonomia para julgar e ponderar critérios nas avaliações científicas. O papel da comissão é crucial para resolver questões complexas, e ela deve ter liberdade para fazê-lo. Restringir o trabalho de uma comissão de especialistas a uma mera tabela de pontuação prejudica seu julgamento. A análise qualitativa e cuidadosa por uma comissão de especialistas seniores com reconhecida competência acadêmica não deve ser minimizada em favor de métricas simplistas expressas em índices de planilha. O trabalho de uma comissão de especialistas pode ser totalmente transparente em seu julgamento, apesar da existência de itens qualitativos no processo de avaliação.

A COPPE sempre foi defensora da liberdade e autonomia universitária. É essencial alertar para o crescente aumento de regras nos processos de avaliação que buscam satisfazer órgãos de controle externos ao ambiente acadêmico. Esses órgãos, sem conhecimento adequado e experiência de como é processada a avaliação por pares – pilar do processo científico – indiretamente vêm promover o uso simplista de métricas que resultam na distorção completa do processo de avaliação e comprometem a autonomia universitária. Portanto, solicitamos que as avaliações realizadas por comissões acadêmicas especializadas em áreas específicas não sejam reduzidas a meros algoritmos computacionais e que a essas comissões de especialistas seja dada a liberdade necessária para realizar suas avaliações de forma eficaz.


Aprovado no Conselho Deliberativo da

COPPE/UFRJ de 02 de julho de 2024

Welcome to Coppe/UFRJ

Folder institucional apresentando as principais áreas, programas e contribuições no ensino, na pesquisa e no desenvolvimento do país.

Dedicação e Precisão: O Caminho da Coppe para a Excelência Acadêmica

Coordenadores dos programas de pós-graduação da Coppe/UFRJ estiveram às voltas, até abril, com o preenchimento de muitas páginas de informação para inserção na plataforma Sucupira, usada pela Capes para coletar dados acadêmicos e subsidiar a avaliação feita, anualmente, dos programas acadêmicos do país.

Embora esse processo por vezes seja penoso, a exatidão das informações é fundamental para que as instituições acadêmicas (e o sistema nacional de pós-graduação) conheçam a si mesmas com confiabilidade e transparência e possam planejar seu futuro a curto, médio e longo prazo.

Dez dos treze programas de pós-graduação da Coppe estão avaliados com conceitos máximos – notas 6 e 7 – o que equivale a cursos de excelência correspondente aos dos principais centros de pesquisa e ensino do mundo. De acordo com o diretor de Assuntos Acadêmicos da Coppe, professor Jean-David Caprace, esse diferencial da Coppe é uma conquista que precisa ser renovada anualmente. “A Capes ranqueia os programas de pós-graduação com base em uma Avaliação Quadrienal. Estamos no último ano do ciclo de avaliação quantitativa.  Somente no ano que vem, será feito um trabalho qualitativo, avaliativo, sobre os dados acumulados nos últimos 4 anos. E novas notas serão anunciadas.” E o ciclo se repete por mais quatro anos.

A importância para a Avaliação Capes

Tanto esforço no preenchimento e envio de dados é fundamental para algo que é importantíssimo para as instituições de ensino e pesquisa em pós-graduação – e seus programas acadêmicos: a Avaliação Capes. Realizada a cada quatro anos, a Avaliação é feita para avaliar a qualidade dos programas de pós-graduação, promover o desenvolvimento dos mesmos e garante aos programas acadêmicos mais bem avaliados o acesso a mais recursos financeiros e mais autonomia em sua gestão. Dentre outras coisas, a Avaliação Capes permite:

  • Analisar os projetos de ensino e pesquisa dos programas;
  • Verificar a qualificação do corpo docente;
  • Examinar a infraestrutura física e tecnológica;
  • Avaliar a produção científica e a inserção social dos egressos;
  • Considerar a gestão do programa e o compromisso com a ética e a responsabilidade social.
  • Identificar pontos fortes e fracos dos programas;
  • Oferecer subsídios para o aprimoramento da qualidade;
  • Incentivar a colaboração entre instituições e áreas do conhecimento;
  • Contribuir para a formação de recursos humanos qualificados para o país.

Conforme explica o professor Jean-David Caprace, a Capes avalia os programas acadêmicos de acordo com áreas do conhecimento, sendo quatro para os diversos ramos da Engenharia. Os 13 programas da Coppe se enquadram nas Engenharias I, II, III, e IV, com a exceção do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação (PESC) que se enquadra na área de Computação.

“Cada grande área tem o próprio comitê da avaliação e as suas próprias regras. No momento vigente, são três quesitos principais. O primeiro avalia o corpo docente, infraestrutura laboratorial, etc. O segundo quesito, diz respeito à formação, envolve diretamente os alunos, onde os seus egressos estão trabalhando, se os alunos conseguiram publicar um artigo de alto fator de impacto, esse tipo de avaliações. E, finalmente, o terceiro quesito é sobre o impacto na sociedade, o impacto internacional, como é visto o programa de fora da universidade. São os três grandes quesitos. Agora, os detalhes como medir isso mudam para cada grande área”, esclarece o diretor acadêmico.

Ser avaliado com grau de excelência (conceitos 6 e 7, em uma escala que varia de 3 a 7), equiparável às melhores instituições de pós-graduação stricto sensu do mundo traz reconhecimento, prestígio e recursos financeiros e bolsas de pesquisa. De acordo com o professor Jean-David Caprace, a Avaliação Capes é crucial para a recepção de recursos e para a gestão dos mesmos. “Para você conseguir manter o seu grupo de pesquisa, o seu laboratório e tudo mais, a nota é fundamental para ter essa alocação de recursos e manter atividade no planejamento para o futuro”.

Rede Refugia será lançada na Coppe conectando migrantes, refugiados e organizações humanitárias

Na sexta-feira, 28 de junho, será lançada a plataforma digital Rede Refugia, uma iniciativa inovadora destinada a transformar a maneira como migrantes, refugiados e organizações se conectam e colaboram no Brasil. Desenvolvida a partir de pesquisas realizadas no Centro de Estudos e Pesquisas em Engenharia para Desastres (Ceped) do Programa de Engenharia de Produção (PEP) da Coppe/UFRJ, a Rede Refugia é mais um exemplo de iniciativa que nasce no ambiente acadêmico, se desenvolve e gera impacto para a sociedade.

 “A Rede Refugia materializa os conhecimentos desenvolvidos na instituição. A universidade a serviço de pensar soluções para questões humanitárias e sociais”, explica Estevão Leite, estudante de doutorado da Coppe. “O objetivo da ferramenta é potencializar a colaboração mútua entre migrantes, refugiados e outros atores que atuam na crise de refugiados no Brasil”.

De acordo com dados divulgados do Comitê Nacional para Refugiados (Conare), em 2023 foram feitas 58.628 solicitações da condição de refugiado, provenientes de 150 países. As principais nacionalidades solicitantes em 2022 foram venezuelanas (50,3%), cubanas (19,6%) e angolanas (6,7%).

Pesquisa realizada em 2021 pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) identificou que os principais desafios das pessoas refugiadas no Brasil são: geração de renda, insegurança, violência, acesso à moradia, água, saneamento, higiene, saúde e educação. A pesquisa entrevistou centenas de pessoas refugiadas que relataram falta de informações para abertura de microempresas, para acesso a serviços especializados de saúde e sobre vagas disponíveis no sistema de ensino, dentre outras.

 “A colaboração mútua entre refugiados, solicitantes de refúgio e migrantes é um processo que já acontece em maior ou menor grau de acordo com as relações interpessoais estabelecidas entre os sujeitos. A Rede Refugia inova com o propósito de impulsionar a integração e a colaboração comunitária, facilitando o acesso às informações sobre acolhimento, aos serviços públicos e à ajuda humanitária de organizações não governamentais”, explica Estevão.

O evento de lançamento será realizado no Auditório Alberto Luiz Coimbra, na sala G-122, bloco G, do Centro de Tecnologia da UFRJ, às 9h, e contará com rodas de conversas, apresentações culturais e experiência gastronômica de migrantes e refugiados de diversos países como República Democrática do Congo, Venezuela e Síria.

Para participar é necessária inscrição, gratuita, pelo link a seguir: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSd_1gOEksriKnPR5wQzwEI8FcepB6CCX-o9nyxcNkV2_ZJefA/viewform

Professor da Coppe pesquisará IA em simulação de turbulência, na Universidade de Stanford (EUA)

O professor Roney Thompson, do Programa de Engenharia Mecânica (PEM) da Coppe/UFRJ, participará do Summer Research Program, promovido pelo Center for Turbulence Research, da Universidade de Stanford (EUA), maior centro do mundo em simulação numérica de turbulência.

O professor da Coppe e os alunos de doutorado Matheus Macedo e Bernardo Brener participarão do prestigioso programa de colaboração científica internacional para desenvolverem o projeto “Using autoencoders to enhance data-driven turbulence models“.

O projeto versa sobre o uso de uma ferramenta de machine learning (aprendizado de máquina), um ramo da Inteligência Artificial, em modelos de turbulência. “É uma nova técnica de aprendizado de máquina pouquíssimo aplicada em fluidos e turbulências. Associada a autoencoders, redes neurais que codificam e decodificam a informação que é inserida. Uma técnica nova e muito promissora”, antecipa o professor Roney Thompson.

Conforme explica o professor, “a turbulência é um fenômeno físico mais comum do que se imagina. Quando você abre a torneira, o escoamento é laminar, abrindo mais um pouco o fluxo de água já é um escoamento turbulento. Você pode dividir os escoamentos em externos e internos (dentro de tubulação, por exemplo). É um fenômeno que permite um amplo escopo de pesquisas, como a indústria aeronáutica, aeroespacial, óleo e gás, polímeros e muitas outras”.

No Summer Program, que será realizado de 23 de junho a 19 de julho, Stanford garante financiamento para passagem e estadia dos pesquisadores. Além disso, a universidade coloca à disposição programas e clusters de computadores de última geração, além do auxílio de alunos de doutorado e pesquisadores de pós-doutorado para a execução do projeto. “São feitas reuniões periódicas, além de palestras e troca de informações com os diversos grupos de pesquisa. Além de termos as melhores condições para fazermos nosso projeto, estaremos expostos aos demais projetos que serão feitos. É uma posição privilegiada, é beber na fonte dos melhores insights, do estado da arte na mecânica da turbulência, e desenvolvemos um projeto em um mês que, com boa probabilidade, renderá frutos para colaborações futuras”, destaca Roney Thompson.

De acordo com o professor, há temas desafiadores no estudo de turbulência, sobretudo quando a geometria do objeto estudado é complexa como em um avião, o custo computacional de rodar uma simulação de alta fidelidade/acurácia é muito alto. “Fica proibitivo resolver uma simulação com esse grau de refinamento. O contraponto a isso é fazer uma simulação barata, porém pouco acurada. O aprendizado de máquina faz com que as simulações baratas aprendam com as caras. Você roda algumas simulações caras e ensina as simulações baratas de modo que estas, com os ajustes que o aprendizado de máquina é capaz de fazer, com performance semelhante às de alta fidelidade/acurácia”, explica o professor do Programa de Engenharia Mecânica.

Além disso, segundo o professor, as simulações de alta fidelidade geram tanta informação, que não é possível armazenar todos os dados gerados. “Quando um grupo realiza simulação de alta fidelidade, eles divulgam médias do que fizeram e essas médias não conseguem recuperar o que seriam as médias desejadas. Eu desenvolvi uma maneira de calcular indiretamente médias que seriam melhores para servirem de aprendizado para o aprendizado de máquina. Esse é uma das razões pelas quais a minha pesquisa é inovadora”, informa o professor Roney Thompson.

Stanford é considerada uma das universidades mais conceituadas do mundo, dentre seus professores e ex-alunos 36 já ganharam prêmios Nobel. Isso sem falar nos outros 19 professores que receberam o prêmio Turing, considerado o Nobel da computação, e 4 que receberam o Prêmio Pulitzer.

Diversas oportunidades internacionais para alunos de pós-graduação

Diversas oportunidades internacionais estão abertas para alunos de mestrado, doutorado, pesquisadores pós-doc e professores visitantes.

Confira abaixo uma seleção de ótimas oportunidades com candidaturas abertas de junho a novembro.

As propostas devem ser inseridas no Sistema de Inscrições da Capes (Sicapes). Para mais informações: https://www.gov.br/capes/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/bolsas/bolsas-e-auxilios-internacionais/encontre-aqui/paises/franca/cofecub

  • Estão abertas as inscrições para submissão de projetos do edital nº 8/2024 referente ao Programa Capes/Cofecub, para fomentar pesquisa e intercâmbio entre instituições do Brasil e França. As modalidades de bolsas são: Doutorado Sanduíche; Pós-Doutorado; Professor Visitante Júnior; Professor Visitante Sênior. Os benefícios incluem mensalidade e auxílios de seguro saúde, instalação e deslocamento. O edital tem por objeto a seleção de até 35 projetos conjuntos de pesquisa Brasil-França no âmbito do Programa Capes/Cofecub, divididos em duas chamadas. A vigência do projeto será de até quatro anos.

As propostas devem ser inseridas no Sistema de Inscrições da Capes (Sicapes). Para mais informações: https://www.gov.br/capes/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/bolsas/bolsas-e-auxilios-internacionais/encontre-aqui/paises/franca/cofecub

PRAZO: 1° de julho

  • A Faperj está com inscrições abertas para o “Programa de Mobilidade Internacional Ásia e Oceania – 2024″, que tem por objetivo apoiar a mobilidade internacional de pesquisadores com destino a instituições de ensino e/ou pesquisa na Ásia e Oceania. A Faperj vai apoiar pesquisadores com grau de doutor, vinculados a instituições do estado do Rio de Janeiro, que desejem realizar missões de mobilidade em países da Ásia e Oceania por um período de 30 a 90 dias. Será necessário possuir um parceiro de pesquisa estrangeiro na instituição de destino, onde parte da pesquisa será realizada.

Mais informações: https://www.faperj.br/?id=558.7.7
PRAZO: 15 de julho

  • A Comissão Fulbright está com inscrições abertas para bolsas para ensino e/ou pesquisa nos EUA para professores e pesquisadores com doutorado em todas as áreas do conhecimento.Os candidatos devem ter nacionalidade brasileira, ter proficiência em inglês compatível com o bom desempenho nas atividades previstas e estar no Brasil durante a seleção. Candidatos também não podem estar recebendo bolsa ou benefício financeiro de outras agências ou entidades brasileiras com o mesmo objetivo. Mais informações e inscrição: https://fulbright.org.br/bolsas-para-brasileiros/professor-pesquisador-visitante-nos-eua/

Além disso, a Comissão Fulbright vai oferecer até vinte e cinco bolsas em todas as áreas do conhecimento para brasileiros desenvolverem parte de sua pesquisa nos Estados Unidos. Somente candidatos com nacionalidade brasileira, sem dupla-nacionalidade norte-americana, são elegíveis. Os candidatos também devem residir e estar matriculados em curso de doutorado no Brasil e ter proficiência em inglês com resultado obtido após 27 de julho de 2023: no mínimo 81 TOEFL iBT, 6.5 IELTS ou 110 Duolingo. Mais informações e inscrição: https://fulbright.org.br/bolsas-para-brasileiros/doutorado-sanduiche-nos-estados-unidos/

PRAZO (para ambas): 28 de julho

  • A chamada 23 do programa Capes/Humboldt está com inscrições abertas até o dia 29 de novembro.  O programa é uma cooperação entre a Capes e a Fundação Alexander von Humboldt (AvH) da Alemanha e oferece bolsas de pós-doutorado e bolsas para pesquisadores experientes, com duração variando de 6 a 24 meses e incluindo mensalidade, passagens aéreas, auxílio-instalação, auxílios para mobilidade e seguro saúde, além de curso de alemão quando necessário e subsídios para dependentes. As candidaturas deverão ser apresentadas simultaneamente no Brasil e na Alemanha. As propostas que forem apresentadas somente a uma das agências serão indeferidas.

No Brasil, as inscrições serão feitas junto à Capes – Link 

Na Alemanha, as inscrições serão feitas junto à AvH – Link PRAZO: 29 de novembro

Pesquisadores da Coppe criam tecnologia para detectar em 20 minutos água contaminada

Pesquisadores da Coppe/UFRJ desenvolveram um sensor de fibra óptica nano-bio-tecnológico inovador, capaz de detectar contaminação por coliformes fecais na água em apenas 20 minutos. Os atuais processos envolvem várias etapas laboratoriais que podem levar até dois dias para fornecer resultados. A nova tecnologia se destaca pela rapidez e sensibilidade dos resultados, baixo custo, capacidade de miniaturização e facilidade de fabricação. O estudo, coordenado pelo professor Marcelo Werneck, dos Programas de Engenharia Elétrica e de Engenharia da Nanotecnologia da Coppe/UFRJ, foi publicado recentemente na revista Polymers.

Iniciativas como essa são cada vez mais importantes em um mundo onde as fontes de água limpa estão se tornando escassas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 27% da população mundial não tinham acesso a serviços de água potável segura em 2022. No Brasil, cerca de 34 milhões de pessoas (16% da população) não têm acesso à água tratada em casa, segundo o Instituto Trata Brasil. Além disso, a presença de água tratada não garante sua qualidade, pois ainda podem ocorrer problemas de contaminação nos sistemas de abastecimento. 

Como funciona

Marcelo Werneck explica que a fibra óptica do sensor funciona de forma semelhante às usadas nas telecomunicações. “Porém, ao invés de feixes de sílica, nós usamos fibras ópticas plásticas POF (da sigla em inglês, plastic optical fiber), que são mais baratas e mais fáceis de manipular. Elas transmitem feixes de luz de uma extremidade à outra dentro do dispositivo e, qualquer alteração na superfície da fibra afeta a intensidade de luz recebida na outra extremidade do sensor, permitindo a detecção de alterações microscópicas, como a causada por bactérias”, explica o professor da Coppe.

A professora Regina Célia Allil, também do Programa de Engenharia Elétrica da Coppe, faz parte do projeto e explica que, para a detecção de microrganismos, anticorpos específicos são fixados na superfície da fibra, usando nanopartículas de ouro. “Esses anticorpos capturam as bactérias de Escherichia coli que possam estar presentes na água. A nanotecnologia permite melhorar, consideravelmente, a aderência da armadilha de anticorpos, aumentando a sensibilidade do resultado”, ressalta.

O dispositivo, desenvolvido no Laboratório de Instrumentação e Fotônica (LIF) da Coppe, opera ainda com dois sensores de fibra óptica em paralelo: um contendo os anticorpos e outro sem. A comparação dos resultados entre eles permite identificar a presença de bactérias Escherichia coli com elevada seletividade, eliminando a interferência de outros detritos que possam estar na água.

Vantagens e aplicações

Os biossensores desenvolvidos oferecem vantagens significativas em comparação aos métodos tradicionais de detecção de contaminação da água, que são complexos, caros e demorados. Os biossensores desenvolvidos pela equipe da Coppe exigem menos materiais, menos mão de obra e oferecem resultados em 20 minutos, com um treinamento mínimo necessário para seu uso. Os professores afirmam que é viável reproduzir esse sensor em larga escala e o custo é muito pequeno. O objetivo é que o protótipo final seja um dispositivo móvel e portátil, que possa ser facilmente transportado para medições diretamente nos locais suspeitos de contaminação e utilizado em campanhas ou missões no interior do país.

Pesquisas futuras e desafios

A equipe do LIF/Coppe desenvolve essa pesquisa há cerca de dez anos, no entanto, ainda faltam algumas etapas para conquistar um protótipo ideal. “Estamos estudando qual é o prazo de duração dessa fibra óptica funcionalizada com anticorpos. E também queremos aumentar ainda mais a sensibilidade, para detectar se a água está apta para consumo humano”, afirma Werneck, acrescentando que acredita em chegar a um produto mais compacto e sensível ainda este ano.

A pesquisa faz parte da Rede de Nanotecnologia “Pesquisa Cooperativa em Materiais Nanoestruturados e Engenharia de Dispositivos Funcionais”, financiada pela Faperj. A Fundação apoia um bolsista de pós-doutorado e um de iniciação científica e investiu cerca de R$1.158.000 na pesquisa. Além disso, o projeto também recebe apoio do CNPq.

* Com Marina Verjovsky, da Faperj.

Inscrições abertas para curso de Inovação, Empreendedorismo e Transições Sustentáveis – Módulo II

A Diretoria de Tecnologia e Inovação da Coppe/UFRJ anuncia ao corpo discente dos 13 programas da instituição que estão abertas as inscrições para o Módulo II da Disciplina Inovação, Empreendedorismo e Transições Sustentáveis, oferecida pela professora Amanda Xavier, do Programa de Engenharia de Produção, e atual diretora de Planejamento, Administração e Desenvolvimento Institucional da Coppe.

O principal objetivo da disciplina é compreender modelos econômicos e de negócios contemporâneos e seus desafios reais, bem como os meios adequados para transições sustentáveis no contexto de um ecossistema de inovação empreendedor.

De acordo com Amanda Xavier, para falar de inovação, é preciso vivê-la. Não é diferente no processo de ensino-aprendizagem. “A disciplina Inovação, Empreendedorismo e Transições Sustentáveis adota exclusivamente métodos ativos de aprendizagem, colocando os pesquisadores como principais agentes do processo educacional. Ela funciona como um espaço e uma ferramenta para explorar o potencial criativo e sistêmico da engenharia, integrando os diversos conhecimentos dos alunos pesquisadores dos 13 Programas de Engenharia da Coppe. O objetivo é desenvolver novas abordagens para impulsionar a inovação, o empreendedorismo e as transições sustentáveis”, explica.

Com carga horária total de 45 horas, o Módulo II terá início no dia 27 de junho, e as aulas serão todas as quintas-feiras, das 9 às 12 horas. Mesmo sendo continuidade do primeiro, este segundo Módulo pode ser cursado por todos os alunos da Coppe, independente de terem frequentado o Módulo I. Ele será todo desenvolvido a partir da Game-Based Learning (GBL), a aprendizagem baseada em jogos.

Os interessados em cursar este módulo da disciplina devem enviar um e-mail para a professora Amanda Xavier (amandaxavier@pep.ufrj.br), com cópia para Rebeca Amaral (rebeca.amaral@pep.ufrj.br).

As aulas serão ministradas no Centro Multimídia de Difusão Tecnológica da Coppe (CMDT/Coppe/UFRJ), localizado no Bloco 3 do Centro de Tecnologia 2 (CT2 – 3º pavimento – sala multiuso), na Rua Moniz Aragão, 360, Cidade Universitária.

Esta é uma das ações da Diretoria de Tecnologia e Inovação da Coppe que visam incentivar o desenvolvimento de competências em tópicos relacionados à inovação e ao empreendedorismo, considerando o forte embasamento tecnológico tradicionalmente oferecido nos cursos de mestrado e doutorado.

A Diretoria da Coppe entende ser importante que a instituição continue sendo referência nacional e internacional na produção e aplicação de conhecimento inédito e acredita que deve ser dado um passo adiante na formação do seu competente corpo discente, promovendo a cultura inovadora e empreendedora.

1° Fórum Brasileiro de Processamento de Sinais

A Coppe/UFRJ vai sediar, nos dias 20 e 21 de junho, o I Brazilian Signal Processing Forum. O evento é uma iniciativa da IEEE Signal Processing Society (Sociedade de Processamento de Sinais, vinculada ao Instituto de Engenheiros Eletrônicos e Eletricistas – IEEE) e será coordenado pelo vice-diretor da Coppe, professor Marcello Campos e pelo professor Charles Cavalcante, da Universidade Federal do Ceará (UFC).

O evento será realizado em inglês e discutirá diferentes aspectos de processamento distribuído de sinais para diferentes aplicações, que incluem otimização e aprendizagem, aprendizagem totalmente distribuída versus aprendizagem federada, cálculos distribuídos para aplicações de comunicação, e sistemas de monitoramento distribuídos. As pesquisas em processamento de sinais são aplicadas em diversos segmentos da indústria e setor de serviços tais como: telecomunicações, robótica, veículos autônomos, telemedicina, processamento de multimídia e muito mais.

O evento será híbrido e as inscrições são gratuitas pelo email bsp-forum@smt.ufrj.br. Aqueles que se registrarem e não puderem comparecer presencialmente poderão participar remotamente. O evento será transmitido pelo canal da Coppe no YouTube e permanecerá disponível.

O evento será realizado no auditório da Coppe, na sala G-122 do Centro de Tecnologia (CT).

Os palestrantes são pesquisadores líderes em suas áreas, de renomadas universidades internacionais:

Quinta-feira (20/6) às 10h30

This Wheel’s on Fibre: using fibre optic sensing for traffic monitoring – Professor Cédric Richard (Université Côte d’Azur)

Quinta-feira às 14h

Source separation: from early history to recent advances – Professor Christian Jutten (Université Grenoble Alpes)

Sexta-feira (21/6) às 9h

Wireless Communications for Distributed Computations – Professor Carlo Fischione (KTH Royal Institute of Technology Stockholm)

Sexta-feira às 10h

Goal-oriented Semantic Communication for Decentralized Intelligence – Professor Marios Kountouris (Universidad de Granada, Spain & Eurecom, France)

Confira a programação completa no site do I Brazilian Signal Processing Forum.

A mão de obra que nos falta

* Suzana Kahndiretora da Coppe/UFRJ

Foi no início da década de 60 que Alberto Luiz Coimbra se deu conta da importância da pesquisa científica e do modelo de “dedicação exclusiva”, a exemplo do que ocorria nos EUA no período de Guerra Fria, quando os cursos de engenharia iniciaram um processo de mudanças, de forma a não serem meramente formação de mão de obra para o mercado. 

Foi nesta ocasião que Coimbra criou a Coppe, instituto de pós-graduação em engenharia da UFRJ, que ganhou o seu nome, que hoje dirijo, e que se tornou um dos maiores centros de pesquisa e tecnologia da América Latina. Este modelo inovador, centrado em pesquisa de qualidade e com professores em horário integral e dedicação exclusiva, teve enorme importância no desenvolvimento tecnológico do País. Tanto foi assim, que no momento em que o Brasil decidiu liderar a tecnologia de exploração de petróleo em águas profundas, o setor de pesquisa e tecnologia respondeu com sucesso a esta empreitada sendo atualmente referência mundial.

Por mais paradoxal que possa parecer nos dias de hoje, o setor de petróleo, um dos motores da economia do século XX, foi e ainda é, um celeiro de inovação tecnológica para o século XXI. Vem deste setor nossos avanços em robótica, novos materiais, integridade estrutural, sensoriamento remoto e automação, entre diversos outros exemplos.

O conhecimento vem se tornando cada vez mais sofisticado e valorizado e as inovações tecnológicas e o chamado “soft power” são os principais vetores para a economia deste século. Relatórios da ONU mostram que o mercado das tecnologias emergentes deverá ser de 3,3 trilhões de dólares no final desta década. Dados da Agência Internacional de Energia alertam que cerca de 45% das tecnologias-chave para a tão esperada transição energética ainda não existem comercialmente, o que sinaliza o enorme potencial à frente.

Enquanto isso, assistimos a um número crescente de recém-formados sem colocação no mercado, enquanto o País fica no 49º lugar no índice global de inovação feito pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual que analisou indicadores de 132 nações. Cursos de graduação são abertos, sem que haja nenhuma preocupação com sua sustentabilidade. O que se vê são universidades públicas sem verba e formando um contingente alto de profissionais que não encontram colocação em suas áreas, enquanto o País precisa urgentemente de capital humano qualificado. De acordo com relatório Brasil: Mestres e Doutores 2024, lançado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, é grave a situação do país frente à crescente necessidade de mão de obra altamente especializada para fazer frente aos desafios deste século.

De posse de todos estes fatos, parece óbvio a necessidade, de assim como percebeu Coimbra na década de 60, se ter um modelo adequado ao momento atual do mundo e do País. Usando o refrão da música, como cantam Chitãozinho e Xororó, ficaremos negando as aparências, disfarçando as evidências, continuando a achar que nossos problemas se resumem à falta de verbas e não a urgente necessidade de rever a importância relativa dos cursos de graduação e pós graduação de maneira a apoiar estrategicamente aqueles que são e serão relevantes para a nossa sociedade e nosso desenvolvimento?

* Artigo publicado em O Globo – Opinião – 18/06/2024.

Meninas superpoderosas: Professoras da Coppe são contempladas em programa da Faperj para a inserção feminina nas áreas tecnológicas

A Coppe/UFRJ teve duas professoras contempladas no Programa Meninas e Mulheres nas Ciências Exatas e da Terra, Engenharia e Computação 2024, da Faperj: Inayá Corrêa Barbosa Lima e Elizabete Fernandes Lucas. O programa é destinado a pesquisadores que contribuem para o desenvolvimento científico e para a formação de recursos humanos nas referidas áreas. O resultado do edital foi divulgado no dia 13 de junho e, ao todo, foram contempladas 33 propostas, sendo nove da UFRJ.

O objetivo principal é promover o despertar do interesse vocacional de meninas e mulheres da Educação Básica – que envolve o Ensino Fundamental, a partir do 6º ano e o Ensino Médio – e do Ensino Superior para a pesquisa científica e tecnológica nas áreas técnicas, com projetos desenvolvidos nas escolas públicas do Estado do Rio de Janeiro.

A professora Elizabete Lucas, do Programa de Engenharia Metalúrgica e de Materiais (PEMM) foi contemplada com o projeto “Meninas superpoderosas: nas ciências e na tecnologia”. Já a professora Inayá Corrêa Lima, do Programa de Engenharia Nuclear (PEN), com o projeto “Meninas como futuras líderes na ciência nuclear: iniciativas de desmistificação”.

De acordo com a diretora científica da Faperj, Eliete Bouskela, o programa é importante e fundamental para o ingresso e permanência de meninas e jovens cientistas nas áreas exatas e tecnológicas. “A sub-representação de mulheres nestas áreas precisa ser equacionada, uma vez que estas são áreas estratégicas e bem remuneradas”, diz.